Tóquio, Japão – Nas últimas semanas, vários partidos sugeriram a redução do imposto sobre consumo de alimentos e itens essenciais como medida para combater a alta dos preços, mas tudo indica que o Japão não vai adotar nenhuma ação nesse sentido, informou o jornal Yomiuri nesta sexta-feira (9), citando fontos do governo e do Partido Liberal Democrata (PLD).
Apesar das pressões da oposição e de alguns membros do próprio PLD e do Komeito para reduzir o imposto, o governo concluiu que seria inviável encontrar uma fonte alternativa de receita para sustentar o sistema de seguridade social. Além disso, a medida foi considerada inapropriada para combater a alta dos preços no curto prazo.
A questão foi discutida durante uma reunião entre o primeiro-ministro Shigeru Ishiba e o secretário-geral do PLD, Hiroshi Moriyama, realizada em um restaurante em Tóquio na noite de quinta-feira (8). Fontes do governo afirmam que ambos concordaram em não prosseguir com a proposta de redução do imposto.
O imposto sobre consumo é destinado a financiar a seguridade social, incluindo aposentadoria e serviços de saúde. Reduzir essa fonte de receita poderia criar um déficit de trilhões de ienes, comprometendo o sistema em um momento de envelhecimento acelerado da população.
A alternativa de cobrir o déficit com a emissão de títulos da dívida pública foi considerada, mas rejeitada devido ao risco de transferir o ônus financeiro para as futuras gerações. Ishiba reafirmou que o imposto é uma fonte crucial para o modelo de seguridade social no qual a geração mais velha depende da contribuição dos jovens.
Além disso, a redução do imposto sobre consumo beneficiaria mais os pessoas de alta renda do que as de baixa renda, além de exigir um período considerável de implementação. Isso tornaria a medida ineficaz para aliviar rapidamente o impacto da inflação.
Também houve preocupações quanto à viabilidade de empresas realizarem repetidas atualizações nos sistemas de cobrança de impostos em um curto espaço de tempo.
O Partido Democrático Constitucional incluiu a isenção do imposto sobre alimentos em seu manifesto para as eleições da Câmara Alta do Parlamento, enquanto o Nippon Ishin no Kai e o Partido Democrático do Povo também pressionam pela redução da alíquota.
No entanto, o PLD optou por se posicionar como um partido de “responsabilidade fiscal”, enfatizando que a oposição não apresentou soluções viáveis para substituir a receita perdida.
Após as primeiras notícias sobre o assunto, o termo “PLD decide não reduzir imposto sobre consumo” rapidamente se tornou um dos tópicos mais comentados na plataforma X (antigo Twitter) nesta sexta-feira.
As reações dos usuários foram mistas: “Então, o que eles vão fazer agora?”, questionou um usuário. “Nunca tiveram a intenção de reduzir imposto desde o início”, ironizou outro. “Boa decisão”, comentou um apoiador da medida.
Foto: Gabinete do Governo
Primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba




