Tóquio – O Japão enviará um avião fretado para a cidade chinesa de Wuhan, atingida pelo surto de um vírus mortal, na noite desta terça-feira (28) para evacuar cidadãos japoneses, disse o ministro das Relações Exteriores Toshimitsu Motegi a repórteres. A informação é da Kyodo.
O avião entregará máscaras e roupas de proteção a Wuhan antes de trazer cerca de 200 pessoas para Tóquio na manhã de quarta-feira, disse ele, acrescentando que mais vôos para retirar o restante das cerca de 650 pessoas que pediram para serem evacuadas.
A expedição ocorre quando outros países também estão em negociações com a China para ajudar seus cidadãos a sair de Wuhan.
Um voo fretado dos EUA chegará à cidade possivelmente na noite de terça-feira para evacuar seus diplomatas e cidadãos, disseram fontes do governo dos EUA à Kyodo News.
SURTO
Enquanto isso as autoridades de saúde chinesas dizem que mais 26 pessoas morreram com o novo coronavírus na segunda-feira (27), elevando o número total de mortes para 106.
Os chineses dizem que o número de infecções também aumentou em 1.771 e agora é de 4.515. Entre eles, 976 pessoas estão em estado grave.
Fora da China continental, 65 infecções foram confirmadas em 17 países e territórios.
As autoridades de saúde de Pequim revelaram um plano para tratar pacientes com dois medicamentos atualmente utilizados por hospitais da capital para combater o HIV.
Na semana passada, médicos chineses divulgaram um relatório em uma revista médica britânica dizendo que os dois medicamentos foram bem-sucedidos no tratamento da SARS, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Pequim na segunda-feira para discutir o surto com funcionários do governo chinês.
BRASILEIROS
A Agência Brasil entrevistou alguns brasileiros que residem na China para saber como estão lidando com essa situação.
A brasileira Rafaela Dias, por exemplo, mora em Pequim há dois anos e estuda na Beijing Sports University. Segundo ela, a população está preocupada com o vírus e os constantes avisos do governo na tentativa de acalmar a população não têm adiantado.
“Você vê muita diferença na rua. Já não tem tantos carros nem tantas pessoas. O governo sempre manda mensagem dizendo para ninguém entrar em desespero, que eles vão resolver a situação”, disse a estudante.
“E nem a poluição, que é alta aqui, faz tantas pessoas usarem máscaras. Mas, por conta do vírus, todo mundo está de máscara. É uma cena de filme mesmo. As pessoas estão com medo”, acrescentou a jovem, que também adotou a máscara como item obrigatório.
Rafaela mora na universidade e a recomendação é que os estudantes não deixem o campus nem para comprar comida. Eles estão sendo orientados a comprar por um aplicativo de entrega de lanches e outros itens. “Foi essa a recomendação que eles deram para a gente, que era mais arriscado sair do que vir uma pessoa entregar as coisas no portão”.
E no caso de estudantes e professores que querem entrar na universidade, são realizados alguns testes rápidos para verificar a saúde dessas pessoas. Caso a pessoa tenha vindo de outra cidade, a recomendação da universidade é de isolamento total por, pelo menos, dez dias.
O governo adiou o início das aulas e a circulação de ônibus para outras cidades está suspensa. “Para pegar o avião estão medindo a temperatura das pessoas antes de embarcar, nos trens também. E todo mundo usando máscara”, disse a estudante.
A situação de Raif Alves é diferente. O brasileiro mora e estuda em uma universidade na cidade de Hangzhou, a 1,3 mil km de Pequim, mas deixou o país em 20 de janeiro para visitar a família no Brasil. Deixou a China alheio aos perigos do vírus, que ainda crescia. Raif tem passagem marcada para voltar à Ásia em 17 de fevereiro, mas não tem certeza se pegará esse voo.
“O meu orientador da universidade mandou mensagem dizendo para a gente se manter longe, não voltar para a universidade tão cedo. Minha passagem está para 17 de fevereiro. Dependendo de como as coisas estiverem até lá, considero alterar”.
Foto: Reuters