Tóquio, Japão – Pacientes que tiveram COVID-19 parecem ter uma maior probabilidade de contrair a doença de Alzheimer nos anos seguintes à infecção, segundo pesquisas recentes, publicou o Asahi. O problema vem sendo chamado de “COVID Longa.
Takayoshi Shimohata, professor de neurologia na Universidade de Gifu, disse que o coronavírus é um novo fator de risco para a demência”.
O professor, que também faz parte do comitê editorial do Ministério da Saúde, que compila um manual para o tratamento dos efeitos secundários da COVID-19, acrescentou: “É preciso haver uma maior compreensão de que a doença também afeta o cérebro.”
COVID-19 Longa ocorre após a infecção inicial, com o paciente um tempo depois sentir falta de ar, fadiga, perda dos sentidos do olfato, do paladar e outros sintomas.
Em setembro do ano passado foi publicado um estudo na revista médica norte-americana Nature Medicine que analisou a situação de 150.000 americanos que testaram positivo para COVID-19.
Os pesquisadores descobriram que pessoas que foram infectadas pelo coronavírus tinham um risco 2,03 vezes maior de serem diagnosticadas com Alzheimer um ano após serem acometidos pela COVID-19, em comparação com aquelas que não estavam infectadas.
O estudo revelou que o risco de ocorrerem distúrbios cognitivos foi 1,77 vez maior para os infectados.
Outra revista, a britânica Lancet Psychiatry, publicou um artigo em agosto de 2022 que continha os resultados de um estudo internacional abrangendo 1,28 milhão de pessoas.
Aqueles que foram infectados com COVID-19 continuaram em risco de demência mais de dois anos após a infecção.
Os pesquisadores ainda sabem como os efeitos colaterais podem levar a distúrbios cognitivos.
A revista Nature Review publicou em janeiro deste ano um artigo que apontou seis fatores possíveis, como infecção persistente, reativação do vírus no corpo do paciente, efeito na flora intestinal humana e autoimunidade.
Para os pesquisadores, uma explicação pode ser a infecção persistente. Embora o teste dê negativo para COVID-19, aqueles com infecção persistente podem ter um novo vírus se reproduzindo em órgãos onde o vírus antigo estava escondido.
Outro estudo detectou a presença do RNA do vírus nas fezes de pacientes sete meses após terem sido diagnosticados com COVID-19.
Os cientistas acreditam que a causa da demência esteja na inflamação dos nervos em uma ampla área do cérebro. Como consequência, isso poderia levar a depósitos de beta amiloide, que se acredita ser a causa da doença de Alzheimer.
O vírus também pode impedir o funcionamento normal das células cerebrais.
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