Tóquio, Japão – Os gastos dos últimos quatro anos do Japão no suporte à economia para mitigar os efeitos da pandemia de COVID-19 e para conter a aceleração da inflação provavelmente totalizarão cerca de 68,5 trilhões de ienes (US$ 471 bilhões) até o final deste ano fiscal, mostrou uma análise da Kyodo News no sábado (19).
Como a maior parte do financiamento proveniente da emissão de dívida e o objetivo do governo de restaurar a saúde fiscal em segundo plano, o premiê Fumio Kishida enfrenta agora o desafio urgente de realizar reformas enquanto o país se recupera da crise econômica.
Os dados analisados pela agência Kyodo foram enviados pelos membros do setor privado de um importante painel do governo sobre política fiscal e números oficiais para medir o tamanho dos gastos.
Com base nisso, o Japão gastou 28 trilhões de ienes no ano fiscal de 2020, 15,4 trilhões de ienes no ano fiscal de 2021 e 15,1 trilhões de ienes no ano fiscal de 2022. O valor considerado para o ano fiscal de 2023, que vai até março do próximo ano, é de 10 trilhões de ienes.
O gasto anual total do Japão ficou entre 130 trilhões de ienes e 150 trilhões de ienes nos últimos três anos, com um recorde de 114,38 trilhões de ienes alocados no orçamento geral da conta fiscal de 2023.
O Japão tem a pior situação fiscal entre as nações mais ricas do mundo, mas o país aumentou os gastos para apoiar famílias e empresas afetadas pela pandemia e pelo aumento dos preços.
A elevação dos custos de combustível, em parte devido à guerra da Rússia na Ucrânia, tem sido um fator para aumentar os preços.
Dentro dos programas de auxílio emergencial aplicados nos últimos quatro anos, estão incluídas doações de 100.000 ienes em dinheiro a todos os cidadãos, apoio financeiro aos municípios para aumentar a capacidade de leitos para tratar pacientes com COVID e subsídios para reduzir os custos de energia para residências e empresas.
Uma parte do financiamento foi destinada à promoção do problemático sistema de identificação nacional “My Number”, premiando os titulares de cartões com pontos que podem ser usados em pagamentos sem dinheiro. No final, esse sistema se tornou fonte de dores de cabeça para o governo após a manipulação de informações pessoais de maneira incorreta.
Apesar do objetivo de obter um superávit no saldo primário – receitas fiscais menos gastos, exceto os custos do serviço da dívida – até o ano fiscal de 2025, o Japão ainda está longe de alcançá-lo.
No final de julho, o Conselho de Política Econômica e Fiscal apresentou dados que revelam a deterioração da saúde fiscal do Japão, já que o número relevante piorou entre 1,7 e 5,2 pontos percentuais em quatro anos, em comparação com um cenário de nenhum gasto adicional com COVID e medidas de alívio da inflação.
Para se ter uma ideia, a dívida do país deverá se aproximar de 1.100 trilhão de ienes no ano fiscal de 2023, que dá quase o dobro do tamanho da economia. Porém, as participações maciças de títulos do governo do Banco do Japão ajudaram a evitar um aumento nos rendimentos e nos custos do serviço da dívida.
O plano do governo é mudar o sistema de gastos, pois planeja destinar 43 trilhões de ienes no reforço de suas defesas até o ano fiscal de 2027 e aumentar o apoio para reverter a queda na taxa de natalidade.
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