Tóquio, Japão – A pandemia da COVID-19 mostrou que o Japão precisa revisar minuciosamente sua resposta e se preparar totalmente para a próxima crise de saúde pública, disse Shigeru Omi, principal consultor do governo no enfrentamento da doença, noticiaram a Jiji Press e Kyodo News.
O governo rebaixou o status da doença na segunda-feira (8) para o mesmo nível da gripe sazonal.
“Houve ambiguidade e tentativa e erro” no compartilhamento de funções entre o governo e os especialistas, disse Omi em uma entrevista que analisa os últimos três anos da experiência do Japão em lidar com a pandemia.
O especialista comentou: “Precisamos nos preparar (para a próxima pandemia) mesmo em tempos normais, com base em uma revisão completa” da resposta do país à COVID-19.
Ainda que a taxa de mortalidade por COVID-19 tenha se tornado baixa, o número de mortes “aumentou constantemente desde a primeira onda de infecção até a oitava onda”, citou Omi
O principal consultor do governo na pandemia lembrou que os idosos são vulneráveis a doenças graves se forem infectados pelo vírus e que é difícil prever como o vírus se espalha e sofre mutações. E alertou que é “um pouco cedo demais” para o público baixar completamente a guarda após o rebaixamento da COVID-19.
Omi lamentou o fato de o governo “às vezes não ter ouvido as opiniões dos especialistas” sobre algumas questões, como a promoção do turismo e os Jogos Olímpicos de Tóquio.
Agora ele pede que o governo desenvolva um sistema médico capaz de lidar com uma pandemia, promover o treinamento de pessoal e intensificar a digitalização. “Não devemos esquecer mesmo quando o perigo se foi,” disse Omi.
O Japão removeu a maioria de suas restrições com a reclassificação da COVID-19, não havendo mais declarações de emergência ou redução de horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais. Além disso, retirou os controles de fronteira e a necessidade do uso de máscara.
Na opinião do professor da Universidade Internacional de Saúde e Bem-Estar, Tetsuya Matsumoto, a reclassificação do vírus e a flexibilização das medidas de saúde pública podem dificultar o monitoramento do número de infecções no Japão se elas começarem a aumentar novamente.
“O sistema médico, que parece estar melhorando, pode não ter capacidade de responder suficientemente. O desafio é como aumentar constantemente o número de instituições médicas que podem receber pacientes”, disse Matsumoto.
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