Oizumi, 18/nov – Nos próximos dois anos, o educador Carlos Shinoda, 54 anos, terá a missão de representar e defender os interesses da comunidade brasileira no Japão e também de outros brasileiros residentes na Ásia, África, Oceania e Oriente Médio. Shinoda e outros dois membros eleitos no Japão, juntamente com outros 13 representantes escolhidos por meio da votação pela internet, irão se reunir pela primeira vez na III Conferência Brasileiros no Mundo, que será realizada no próximo dia 3, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro (RJ).
Há 17 anos no Japão, Shinoda (foto abaixo), em entrevista à Alternativa, faz a avaliação do resultado das eleições no Japão e também comenta as suas expectativas no Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior (CRBE). Neste domingo 21, ele irá se reunir na capital japonesa com o também candidato eleito Newton Sonoki e a secretária de Comunidades da Embaixada do Brasil, Patrícia Cortes, e representantes da comunidade para a discussão de propostas a serem levadas à conferência no Rio de Janeiro.

Alternativa: Como pode avaliar o resultado das eleições do CRBE e a nomeação de três representantes daqui do Japão?
Carlos Shinoda: Poderia ter sido melhor em termos de participação da comunidade, interação com os eleitores e com os demais candidatos. O fato é que o período de indefinição em relação às regras e as datas foi longa e o de votação curtíssimo. Tendo em vista que o CRBE foi definido em outubro do ano passado, não dá para aceitar a forma como tudo ocorreu. Quanto a representação, se considerarmos que das quatro vagas, três são do Japão, é positivo. No entanto, se considerarmos que fazemos parte do bloco que envolve a África, Ásia, Oceania e Oriente Médio, a composição é preocupante. Por exemplo, me preocupa os encaminhamentos dos brasileiros residentes em Angola que tem um contingente de 30 mil brasileiros. Os eleitos do Japão não podem se esquecer que também somos representantes deste bloco.
Alternativa: Quais são as suas expectativas em relação a esse conselho? E em relação ao seu trabalho como conselheiro?
Shinoda: Mais do que expectativas, tenho clareza de que a instituição do CRBE é o inicio do processo para o qual o governo possa estabelecer uma política governamental ajustada a realidade das comunidades brasileiras no exterior. Como primeiro passo desse processo, é previsível termos dificuldades. Será preciso a colaboração de todos nesta jornada. Como digo sempre, o CRBE somos nós.
Alternativa: O que espera do primeiro encontro do conselho na 3ª Conferência Brasileiros no Mundo?
Shinoda: O principal foco do primeiro encontro será político. Considero natural que seja assim, por entender que o CRBE é o primeiro instrumento visível e concreto desde a primeira conferência. Apesar do CRBE ser concretizado na terceira conferência, a caminhada não parte do zero. Há demandas que foram discutidas e registradas em atas, e será preciso a prestação de contas, do que havia sido proposto, o que foi feito e o que ainda falta.
Alternativa: De imediato, em sua opinião, o que precisa ser discutido e levado ao governo brasileiro?
Shinoda: Conforme já comentado, temos uma ata consolidada de demandas da comunidade brasileira no exterior que precisa ser retomada. É uma ata de nove páginas, com 10 temas que são de interesse global, que não pode ser deixado de lado. Ali constam ações que fazem parte do que necessitamos na nossa realidade. Outro ponto que precisa ficar registrado é a forma como foi conduzido o processo eleitoral. Por exemplo, o requisito inicial para comprovar que o eleitor reside de fato na região onde ele vota, seria a matrícula consular ou o titulo transferido. Neste sentido durante meses foi feito um esforço para que o maior número possível de brasileiros fosse até o consulado para atender esse requisito. Uma semana antes de iniciar o período de votação, saiu uma portaria onde não foi desta forma.
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