O trabalho de tradutor em hospitais nasceu da necessidade, não só dos pacientes, como dos médicos e enfermeiras, e tem sido imprescindível para o cotidiano dos estrangeiros que sentem dificuldades com o idioma japonês na hora de procurar ajuda médica. Apesar de estarem presentes há décadas nos hospitais e nas clínicas, os que decidiram encarar a profissão de “tradutor médico” ainda enfrentam dificuldades com relação à regulamentação e suporte.
“É preciso que pacientes, médicos e enfermeiras compreendam que o tradutor tem limitações. E exatamente para supri-las é que precisamos da ajuda das instituições médicas”, disse Virgínia Yumi Oshima, brasileira e primeira tradutora do hospital público de Komaki (Aichi).
Virgínia, que hoje atua na prefeitura de Inuyama (Aichi), citou que as necessidades do tradutor permanecem as mesmas. “Alguns intérpretes são contratados como auxiliares de limpeza, já que o cargo de tradutor não existe no hospital. Além disso, como a maioria não é concursada, a instituição não pode financiar cursos de aprimoramento”, lamenta ela.
“Se conhecendo todo o vocabulário em português é difícil, imagino que seja ainda mais complicado para quem não é da área”, conta Marina Akemi Tanaka, outra brasileira que faz parte do grupo pioneiro de tradutores médicos. Marina atua há 18 anos como intérprete no hospital Kosei de Toyota (Aichi).
Estudar por conta
Apesar de ter se formado no curso de enfermagem no Brasil, ela conta que teve que “devorar por sua conta” livros e dicionários para poder traduzir as orientações médicas. “Os procedimentos são diferentes do Brasil. Além de traduzir, é preciso explicar ao paciente e ao médico as diferenças culturais. Às vezes quem está doente se recusa a fazer tal coisa porque no Brasil não é assim”, explica a tradutora.
“É preciso aprender a lidar também com diversos tipos de público. Não basta traduzir ao pé da letra tudo o que ouve do médico. Dependendo do nível de conhecimento do paciente, é preciso usar uma linguagem mais fácil”, acrescenta Takako Wakimoto, tradutora do hospital Universitário Fuzoku de Mie. Takako é japonesa e aprendeu português no Brasil.
“Uma vez, uma paciente disse uma coisa muito engraçada e preferi não traduzir, mas os médicos insistiram. Quando disse em japonês exatamente o que a paciente havia me dito, os médicos caíram na gargalhada. No final da consulta, a paciente me chamou e irritada disse que aquela parte não era preciso traduzir”, ilustrou Virgínia sobre uma de suas experiências. “É preciso que o governo e os hospitais pensem com mais seriedade a respeito desse trabalho, oferecendo mais suporte e condições de trabalho”, sugeriu.
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Virgínia Yumi Oshima, Takako Wakimoto e Marina Akemi Tanaka atuam como intérpretes em hospitais
Priscila Hayashi/Alternativa




