Os eleitores que compareceram na manhã deste domingo 3 ao Consulado-Geral do Brasil em Tóquio tiveram de ter muita paciência para enfrentar a longa fila de espera. Apesar de contar com sete seções eleitorais, a quantidade de brasileiros que chegou nas primeiras horas de votação foi grande e deu muito trabalho aos mesários.
O número de eleitores cadastrados no Japão teve um aumento significativo em relação ao pleito de 2006 e a expectativa era de que o comparecimento às urnas fosse alto até o final do dia, já que, além dos três consulados (Tóquio, Nagoia e Hamamatsu), as eleições foram realizadas desta vez em seis cidades com grande concentração de brasileiros: Oizumi (Gunma), Joso (Ibaraki), Ueda (Nagano), Toyohashi (Aichi), Suzuka (Mie) e Takaoka (Toyama).
O cônsul-geral do Brasil em Tóquio Antonio Carlos Coelho da Rocha disse à Alternativa que ficou surpreso com o grande comparecimento dos eleitores. “Houve uma evolução de 2006 para cá e tenho a impressão de que a comunidade brasileira esteja mais conscientizada e melhor informada sobre o processo das eleições”, comentou.

Pedro Hideo Miura e o sogro Nelson Tetuia foram os primeiros a chegar ao consulado de Tóquio
Ewerthon Tobace/Alternativa
Gunma
Os eleitores cadastrados para votarem na zona eleitoral em Oizumi (Gunma) aproveitaram a manhã para irem às urnas e escolherem o novo presidente da república. “Chegamos às 7 horas e já tinha fila”, conta o presidente da seção 327, Lauro Sakae.
Nelson Hashimoto, 50, de Ota (Gunma), foi um deles. Há 20 anos no país, participou pela primeira vez das eleições brasileiras no Japão neste domingo. “Foi ótimo terem criado essa seção em Oizumi”, disse ele. “É cumprir o nosso dever de cidadão brasileiro, mesmo no Japão. Minha esperança é de que o Brasil mude e crie oportunidades para que nós possamos voltar para lá”, afirmou Maria Luzia Miyamoto, 59, de Oizumi, que também votou pela primeira vez no Japão.
A votação em Oizumi, a segunda maior zona eleitoral na jurisdição do consulado em Tóquio, foi tranquila. “O pessoal quer exercer a cidadania. Não somente pelo passaporte, mas vi o entusiasmo dos jovens e daqueles que ficaram algum tempo sem votar”, notou Sakae, que presidiu uma das quatro seções instaladas na cidade.
Segundo o presidente, naquela seção, cada eleitor gastou, em média, um minuto para escolher o candidato. “A equipe foi bem treinada e foi ágil para que tudo ocorresse o mais rápido possível”, revelou.
Maria Luzia Miyamoto votou pela primeira vez no Japão
Thassia Ohphata/Alternativa
Nagano
Os eleitores da província de Nagano compareceram em grande número para elegerem o próximo presidente em Ueda. Pela primeira vez os cidadãos brasileiros que vivem na região puderam votar fora de Tóquio, que é mais longe.
O processo de votação ocorreu normalmente, sem nenhum incidente. Mas como foi pela primeira vez, muitos tiveram que esperar na calçada por mais de uma hora para votar. Na fila, o que se ouvia eram reclamações do local e do desconcerto dos curiosos que passavam na rua estranhando a aglomeração de brasileiros na calçada em frente ao Banco do Brasil.
Segundo um dos encarregados do processo eleitoral, Kooji Horinouchi, a maioria das 700 pessoas aptas a votar iriam comparecer no local ao longo do dia.
Claudemir Luis teixeira, 30 anos, disse que a abertura de um novo posto de votação em Nagano foi muito bom, tudo ficou mais perto e bem mais rápido de se locomover, já que antes ele tinha que viajar de Iida (onde mora) até Tóquio.
No entanto, Solange Maria da Silva Nishikawa, 33 anos, que vive em Ueda, reclama que o espaço é muito pequeno. E imagina que se fosse um dia de chuva, com certeza, todos teriam dificuldades de enfrentar mais de uma hora de fila do lado do prédio do local da votação. (Ewerthon Tobace, Thassia Ohphata e João Takeo Itakura)

Brasileiros fazem fila para votar em Ueda
João Takeo Itakura/Alternativa
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