Tóquio – Você sabia que o português foi o primeiro idioma ocidental que os japoneses tiveram contato, por volta do ano de 1500? E que certas palavras japonesas, como botan (botão), igirisu (inglês), koppu (copo) e pan (pão), tem origem portuguesa?
Para celebrar os 100 anos do ensino de língua portuguesa, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio (TUFS) iniciou na sexta-feira (30) um evento comemorativo de dois dias com simpósios e conferências sobre o estudo e o ensino do idioma no Japão.
“É o primeiro departamento de português numa universidade japonesa e esse é um momento muito importante para nós”, disse o professor da TUFS, Eliseu Pichitelli.
Na abertura do evento, realizada na tarde de sexta, estiveram presentes os embaixadores do Brasil e de Portugal e também de outros países de língua portuguesa e espanhola.
“É muito bonito lembrar que o português foi a primeira língua ocidental que os japoneses aprenderam. Vemos uma interrupção de séculos e o português volta pela imigração japonesa ao Brasil e pela curiosidade pelo nosso país. É interessante ver essa fase do português de Portugal e outra ligada ao português do Brasil”, lembra o embaixador do Brasil, André Corrêa do Lago. “A grande força do português hoje é a comunidade brasileira no Japão. É uma história que está sendo construída e que tem muito futuro pela frente.”
O destaque da abertura foi a conferência do escritor, poeta e tradutor Marco Américo Lucchesi. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele publicou, entre outros livros, “O Dom do Crime”, “Bizâncio” e “A Sombra do Amado”, este último vencedor do Prêmio Jabuti.
O primeiro dia de atividades encerrou com o concerto “Ventos de Saudade”, da pianista Yoko Tokue.
O evento encerra neste sábado (1), com destaque para a mesa redonda sobre a língua portuguesa e a globalização com a participação de estudiosos da Universidade de Évora, Universidade de George Washington e Universidade de Osaka. No auditório onde ocorrem as atividades também está sendo apresentada a exposição “Carta ao Futuro”, do fotógrafo português Pedro Medeiros.
Ensino de português
A TUFS iniciou o curso de português em 1906, com apenas quatro alunos. Hoje, do primeiro ao quarto ano, são 150 estudantes. “A procura pela língua portuguesa tem variado a cada ano, mas notamos que está atrelada à situação econômica do país”, revela o professor Eliseu Pichitelli.
Neste ano, 23 alunos ingressaram no curso. “A escolha pelo curso de português também é variada, alguns alunos entram por causa da música, outros por causa do esporte ou então porque numa viagem a Europa ou aos Estados Unidos conheceu algum brasileiro”, acrescenta Pichitelli.
O professor Naotoshi Kurosawa, também do departamento de língua portuguesa da TUFS, explica que mais da metade dos alunos que se formam na universidade segue trabalhando em prol do idioma. “Nossa meta é aumentar cada vez mais esse número.”
Foto: Thassia Ohphata/Alternativa
Marco Américo Lucchesi, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ministrou uma palestra sobre literatura contemporânea




