Tóquio – O Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia do Japão (MECJ) divulgou na terça-feira (28) um pacote de quatro medidas que as secretarias de educação das províncias devem tomar para atender os estudantes estrangeiros matriculados no sistema escolar público e privado japonês.
As medidas não são obrigatórias, mas sugestivas e foram elaboradas por um comitê consultivo organizado em novembro de 2015 pelo governo japonês para cuidar do tema.
Segundo o relatório do MECJ, a presença de estrangeiros no país e os casamentos entre esta população e os japoneses resultaram em aumento significativo de crianças educadas em língua diferente da japonesa. O total de crianças nesta situação chega a quase 30 mil.
O documento ressalta que o sucesso que se pretende ter no atendimento a estas crianças está relacionado à adaptação e inclusão delas na sociedade japonesa e, quando as mesmas alcançarem a idade produtiva, à inserção no mercado de trabalho local.
Para que fosse traçado um perfil dessas crianças e mapear as medidas que as secretarias de educação das provincias deveriam tomar, o MECJ criou um conselho consultivo formado por pedagogos, universidades, governos locais, organizações sem fins lucrativos e estudantes estrangeiros.
Depois de cerca de seis meses de estudos, o conselho consultivo elaborou quatro recomendações listadas a seguir: desenvolvimento e melhoria do atual apoio oferecido às crianças estrangeiras matriculadas no sistema escolar japonês; formação e contratação de pessoal especializado em educação de crianças estrangeiras; revisão, adaptação e melhoria do conteúdo oferecido à essas crianças; e combate à evasão escolar promovendo a permanência desses estudantes na escola e o apoio aos mesmos no primeiro emprego.
Segundo dados divulgados pelo MECJ, em maio do ano passado existiam 76.282 crianças e jovens estrangeiros matriculados no sistema escolar japonês.
Em outro relatório datado de abril de 2015, mas referentes ao ano letivo de 2014, é possível constatar que 29.198 crianças estrangeiras solicitaram aulas de reforço na língua japonesa. Deste total, a maioria, ou 8.340, tinha como língua materna o português.
Ainda conforme o documento, 384 delas, apesar de terem nacionalidade japonesa, possuíam também domínio na língua portuguesa.
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