Hamamatsu, Japão – A quarta edição da Feira MIPE (Micro e Pequeno Empreendedor Brasileiro no Japão), realizada no fim de semana em Hamamatsu, reuniu centenas de visitantes e reforçou a importância do empreendedorismo dentro da comunidade brasileira no Japão.
O evento contou com expositores de diferentes segmentos e teve como principal novidade o programa Jovens Startups, criado para incentivar estudantes brasileiros a desenvolver soluções inovadoras voltadas ao cotidiano dos imigrantes no país.
A feira apresentou uma ampla variedade de produtos e serviços, incluindo artesanato, artes, bijuterias, impressão 3D, perfumaria e atendimentos especializados. Além da vertente comercial, o encontro também promoveu integração cultural com apresentações de capoeira, danças e performances musicais.
Segundo Vanessa Handa, integrante da organização e coordenadora da Feira MIPE, o evento busca oferecer oportunidades principalmente para brasileiros que ainda não tiveram contato com feiras japonesas.

“O principal foco dela é dar oportunidade para as pessoas que ainda não têm muito contato com feiras japonesas. Aqui é como se fosse um treinamento para que eles possam ter essa experiência de participação de feira, se preparar, de vender, para que no próximo passo possam participar de uma feira japonesa”, afirmou.
Jovens Startups: o grande destaque desta edição
A principal novidade deste ano foi a participação de estudantes de escolas brasileiras por meio do programa Jovens Startups. A iniciativa teve como objetivo estimular o espírito empreendedor entre os jovens. Além disso, incentivar a criação de projetos voltados às necessidades enfrentadas pela comunidade brasileira residente no Japão.
De acordo com Vanessa Handa, a proposta vai além do incentivo aos negócios. O projeto busca ajudar os estudantes a identificar problemas reais, criar soluções práticas e transformar ideias em iniciativas aplicáveis no dia a dia.
Os participantes, com idade entre 15 e 18 anos, apresentaram projetos nas áreas de tecnologia, educação financeira, entretenimento e saúde.
Aplicativo ajuda brasileiros em consultas médicas no Japão
Entre os projetos apresentados, chamou atenção o aplicativo desenvolvido pelos estudantes Elias Rihanno, de 17 anos, Kaique Kitaturu, de 18 anos, e Nicole Inoue, de 17 anos.

A ferramenta foi criada para reduzir as barreiras linguísticas enfrentadas por brasileiros em consultas médicas no Japão. O sistema armazena o histórico médico do usuário e gera um QR Code que pode ser acessado em clínicas e hospitais, disponibilizando as informações diretamente em japonês.

Além disso, o aplicativo também permite a leitura e tradução de bulas de medicamentos, explicando a composição e as indicações de uso dos remédios.
Projeto com inteligência artificial incentiva educação financeira
Outro destaque da feira foi o aplicativo Smart Finance, desenvolvido pelos estudantes Dhiego Akira e Igor Yabe, ambos de 17 anos.
A plataforma utiliza inteligência artificial para auxiliar jovens que estão ingressando no mercado de trabalho a organizar melhor suas finanças. O sistema trabalha com planilhas automatizadas para identificar gastos excessivos e apontar oportunidades de economia, oferecendo maior controle sobre o orçamento pessoal.
Fernanda Muniz, coordenadora do Jovens Startups e representante da NASA Space Apps, destacou a qualidade e a diversidade dos projetos apresentados pelos estudantes.
De acordo com ela, os jovens demonstraram versatilidade ao desenvolver soluções tecnológicas complexas, além de ideias criativas voltadas ao público infantil e ao entretenimento.
Feira fortalece negócios e integração da comunidade brasileira
Os projetos foram apresentados no palco principal da feira e avaliados por um júri formado por empresários e empreendedores. O momento também permitiu a troca de experiências entre os participantes e profissionais do setor.
A organização destacou que a repercussão positiva desta edição reforça a importância da Feira MIPE como uma plataforma de fortalecimento da rede de negócios da comunidade brasileira no Japão.
Vanessa Handa afirmou ainda que muitos participantes acompanharam o crescimento da feira ao longo das edições.
“Aqui na feira nós temos pessoas empreendedoras que estão conosco desde a primeira edição, como também aqueles que estão vindo pela primeira vez. Temos casos de pessoas que vieram como visitantes, depois participaram como expositores e hoje já abriram seus próprios negócios, como cafeterias, lojas de roupas e espaços próprios de trabalho”, finalizou.




