Manaus – A família de Aylah Gabrielly de Sousa Oliveira, jovem de 19 anos natural de Manaus que estava desaparecida desde agosto, confirmou na terça-feira (2) que ela foi presa no Japão. Segundo nota divulgada por parentes, Aylah encontra-se detida em uma delegacia na província de Osaka após tentar entrar no país portando “substâncias ilícitas”.
De acordo com o comunicado, a jovem foi internada em uma unidade hospitalar logo após a prisão e está em bom estado de saúde.
As autoridades japonesas ainda não fizeram nenhuma divulgação oficial sobre a prisão de Aylah, e também não há informações sobre como ela transportava essas “substâncias ilícitas”.
Desaparecimento no Brasil
A jovem viajou de Manaus para São Paulo no dia 28 de julho, dizendo que iria encontrar um homem com quem mantinha um relacionamento. O último contato dela com familiares ocorreu em 19 de agosto.
O celular da jovem foi rastreado pela última vez na Vila Guilherme, zona norte da capital paulista, e depois, de forma misteriosa, apareceu no aeroporto de Kansai, em Osaka.
A mãe da jovem chegou a relatar o desespero diante da falta de respostas. “A gente não sabe se realmente aconteceu alguma coisa, se a Aylah Gabrielly está viva ou não. É uma aflição que eu não desejo para ninguém”, disse em entrevista.
A Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Federal investigavam o desaparecimento e chegaram a cogitar duas hipóteses: a de que o aparelho celular teria sido levado ao Japão sem a presença de Aylah ou de que a própria jovem teria embarcado sem comunicar a família.
Prisões de brasileiros no aeroporto de Kansai
O Aeroporto Internacional de Kansai tem registrado um aumento de casos envolvendo estrangeiros tentando entrar no Japão com droga escondida dentro do corpo. Entre dezembro de 2024 e abril de 2025, a alfândega identificou cinco casos desse tipo — todos brasileiros, segundo uma reportagem do jornal Mainichi em junho.
No caso mais recente, uma passageira brasileira de 35 anos, vinda do Brasil com escala na França, chegou ao aeroporto de Kansai em 16 de abril. Durante a inspeção, agentes alfandegários notaram que ela apresentava calafrios o outros sintomas incomuns, o que despertou suspeitas.
Um pano foi passado sobre o corpo e a bagagem dela e depois analisado com um equipamento detector de drogas, que acusou positivo.
Com o consentimento da passageira, ela foi levada ao hospital, onde um exame de raio-X identificou sombras suspeitas no estômago e intestinos.
Com o passar das horas, seu estado de saúde se agravou, apresentando dores abdominais e inflamação interna. Ela foi internada por nove dias, até que expeliu 74 cápsulas de cocaína, totalizando 675 gramas, com valor estimado de aproximadamente 16,88 milhões de ienes
Cada cápsula media cerca de 6 cm de comprimento por 1,5 cm de diâmetro, envolvido em filme plástico transparente e uma camada externa de material semelhante a borracha.
Casos fatais
A técnica de engolir drogas para tráfico é conhecida pelas autoridades desde o início dos anos 1990, e continua sendo extremamente perigosa, segundo o jornal Mainichi.
Em outubro de 2018, um cidadão chileno morreu no Aeroporto de Narita, em Chiba, após o rompimento de uma cápsula no estômago, causando overdose aguda.
Em janeiro de 2023, um israelense vindo da França morreu dentro do avião após aterrissar no Aeroporto de Haneda, em Tóquio. Foram encontrados metanfetamina e cocaína no corpo.




