Curitiba – A Justiça Federal do Paraná (JFPR) iniciou, na terça-feira (26), as audiências para ouvir testemunhas e o réu Anderson Robson Barbosa, acusado de matar a esposa, Manami Aramaki, de 29 anos, e a filha Lily, de 3 anos, a facadas no Japão, em agosto de 2022, informou o G1.
Barbosa, natural de Londrina (PR), está preso preventivamente desde julho de 2023.
Todas as testemunhas vivem no Japão, e, por isso, as audiências são realizadas virtualmente no período noturno, respeitando o fuso horário.
O réu será o último a depor, com expectativa de ser ouvido no dia 4 de dezembro. Todas as audiências serão fechadas.
O julgamento ocorrerá no Brasil devido a um acordo de cooperação jurídica internacional, já que Barbosa não pode ser trazido para o Japão porque não existe um tratado de extradição entre os dois países.
Entenda o caso
O brasileiro é acusado de matar a facadas a esposa japonesa Manami Aramaki, 29 anos, e a filha Lily, 3 anos. Elas foram encontradas mortas no apartamento onde moravam, em Sakai, na manhã de 24 de agosto de 2022, com várias perfurações principalmente na parte superior dos corpos.
Ele foi colocado na lista de procurados internacionais pela polícia de Osaka em setembro de 2022 e fugiu do Japão antes do crime ser descoberto.
Prisão
Barbosa foi preso em São Paulo pela Polícia Federal em 14 de julho de 2023, quase um ano depois do crime. Segundo uma nota divulgada pela PF logo após a prisão, “Barbosa teria fugido para o Brasil após o crime e, em ação de cooperação internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais do Japão, foi localizado e preso nesta data”.
A PF cumpriu também mandado de busca e apreensão na casa da família do brasileiro em Cambé (PR). Os mandados judiciais foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba (PR).
Quais são as acusações contra ele?
Em 15 de agosto de 2023, Barbosa se tornou réu após a Justiça Federal ter aceitado a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele por duplo homicídio qualificado por motivo fútil, com emprego de meio cruel, que dificultou e impossibilitou a defesa das vítimas, e por ter assassinado a própria filha.
Segundo o G1, a denúncia também qualificou o crime pelo fato do brasileiro ter matado a esposa no contexto de feminicídio, ou seja, de violência doméstica e com menosprezo à condição da mulher.
Receio de perder o visto
O MPF de Curitiba argumentou que Barbosa teria matado sua esposa e filha porque não queria o divórcio.
De acordo com documentos judiciais do MPF, que incluem informações fornecidas pela polícia japonesa, a esposa desejava se divorciar de Barbosa devido ao seu comportamento abusivo e violento.
No entanto, o brasileiro estava preocupado que, caso se divorciasse, perderia seu visto para continuar morando no Japão, onde estava há mais de 9 anos, e por isso decidiu cometer o crime, segundo o MPF.
Foto: Reprodução/Facebook
Anderson Robson Barbosa com a esposa e filha




