Nagoia, Japão – Um jovem brasileiro de 18 anos, residente em Iwakura (Aichi), foi condenado pelo Tribunal de Família de Nagoia (Aichi) a ficar 3 anos em um reformatório por ter saqueado casas afetadas pelo forte terremoto ocorrido em 1º de janeiro deste ano na província de Ishikawa, informaram a emissora Chukyo TV e o jornal Chunichi na quinta-feira (16).
Ele foi acusado de invadir casas em Wajima (Ishikawa), junto com outros jovens, e furtar itens no valor de 65.000 ienes, incluindo anéis e conhaque, no dia 5 de janeiro.
Desde a ocorrência do terremoto, os moradores dessas casas estavam dormindo em abrigos públicos.
O brasileiro foi preso em março junto com um japonês de 19 anos, residente em Nagoia, e uma chinesa de 16 anos, sem endereço fixo.
“Considerando sua personalidade propensa a seguir o comportamento de indivíduos criminosos e o ambiente ao seu redor, a necessidade de proteção não é baixa”, disse o juiz Masahiro Tanaka sobre o brasileiro, em sua decisão de enviá-lo ao reformatório.
A TV não citou o que aconteceu com os outros dois jovens envolvidos.
Qual é a função de um reformatório no Japão?
Os reformatórios (shounenin/少年院) são instituições administradas pelo Ministério da Justiça, que têm como objetivo a reabilitação e reintegração social de jovens enviados por ordens de proteção dos Tribunais de Família.
Nessas instituições, segundo o site do Ministério da Justiça, os jovens recebem educação corretiva e apoio para retorno à sociedade, refletindo sobre seus problemas e buscando melhorias para evitar reincidência. A realização desse objetivo depende não apenas do esforço dos próprios jovens, mas também do apoio e da solidariedade da sociedade.
Existem diferentes tipos de reformatórios juvenis, classificados em três categorias principais de acordo com a idade e a condição física e mental dos jovens: Tipo 1, Tipo 2 e Tipo 3. A decisão sobre qual tipo de reformatório é mais adequado para cada jovem é tomada pelo Tribunal de Família. Exceto pelo Tipo 3, as instalações são separadas por gênero. Há também um Tipo 4, que acomoda jovens sob execução de pena.
Em 1º de abril de 2022, uma alteração na Lei Juvenil entrou em vigor, permitindo a internação em reformatórios de jovens específicos (18 e 19 anos) que violarem gravemente as condições de sua liberdade condicional. Como resposta, foi criado o Tipo 5, para abrigar esses jovens e oferecer tratamento adequado às suas características.
Cada reformatório tem um currículo de educação corretiva, que define o conteúdo e a duração padrão dos programas educacionais. O plano educativo é ajustado às necessidades e características individuais de cada jovem, com base em informações e opiniões do Tribunal de Família e do centro de observação juvenil, proporcionando uma educação detalhada e personalizada.
Foto: Reprodução/CTV
Itens furtados de duas casas em Ishikawa




