São Paulo – O candidato na eleição para prefeito de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), está sendo acusado de publicar um laudo médico considerado falso para associar outro candidato, Guilherme Boulos (PSOL), a um suposto uso de cocaína. A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o caso, noticiou a Jovem Pan.
A eleição para prefeito será realizada neste domingo (6).
O Instituto de Criminalística da Polícia Civil realizou uma perícia no documento ao longo da madrugada de sábado (5) e afirmou que é falso. O documento é datado de 19 de janeiro de 2021.
No papel, um médico teria afirmado que Boulos teria consumido cocaína, o que o candidato do PSOL nega.
As autoridades adiantaram que Marçal pode ter cometido quatro crimes: divulgar fatos inverídicos em relação a partidos ou candidatos para influenciar o eleitor (pena de 2 meses a 1 ano); difamar alguém com propaganda de caráter ofensivo (3 meses a 1 ano); falsificar documento particular para fins eleitorais (até 5 anos de cadeia); fazer uso de qualquer documento falsificado para fins eleitorais (5 anos), segundo a Revista Oeste.
O jornal Hora Campinas, do interior paulista, publicou que as filhas do médico José Roberto de Souza, citado no laudo como tendo supostamente internado Guilherme Boulos, disseram que ele jamais trabalhou na clínica Mais Consulta, do Jabaquara, na capital paulista, de onde foi emitido o tal documento.
O médico José Roberto de Souza atuava no Hospital da PUC-Campinas. Souza morreu em 2022 durante a pandemia de Covid-19.
A médica oftalmologista Aline Garcia de Souza, filha de José Roberto, afirma em vídeo publicado na internet que seu pai nunca trabalhou em São Paulo, e que a assinatura que aparece no laudo não é a do seu pai.
Aline tatuou a assinatura do pai logo após a sua morte, e comparou o desenho na pele com aquele apresentado no laudo, provando que o seu pai não assinou o documento divulgado por Marçal.
Iolanda Rodrigues, secretária que trabalhou por três décadas com o hematologista José Roberto de Souza, afirmou ao jornal O Globo que a assinatura que aparece do laudo não é a dele.
Ela também garantiu que o médico jamais trabalhou em São Paulo, e que em Campinas foi um dos fundadores do Instituto de Hematologia e Hemoterapia de Campinas (IHHC).
O candidato Pablo Marçal declarou no sábado à tarde que “só publicou” em suas redes sociais o receituário médico, e que quem emitiu é quem precisa se pronunciar.
Foto: Reprodução
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