Rio de Janeiro/Tóquio – Membros da Comissão Brasileira de Anistia deverão discutir se o Brasil pedirá desculpas pelas violações dos direitos humanos no internamento de imigrantes japoneses e pessoas de ascendência japonesa após a Segunda Guerra Mundial, publicou o jornal Yomiuri.
A presidente do órgão consultivo do governo, Enea Almeida, comentou com o Yomiuri que a expectativa é de que a comissão peça desculpas em nome do governo.
Segundo estimativas, 2,7 milhões de pessoas de ascendência japonesa vivem no Brasil, país que abriga a maior comunidade mundial de pessoas com herança japonesa fora do Japão.
Caso a Comissão assim decida, será o primeiro pedido de desculpas do governo brasileiro, além de um marco importante na restauração da dignidade daqueles que foram tratados injustamente no período da guerra.
Enea Almeida comentou que “muita gente deveria saber dos cruéis acontecimentos em que [os imigrantes japoneses e seus descendentes] foram perseguidos pelo Estado brasileiro pelo simples motivo de serem japoneses, e o país deveria garantir que o mesmo erro nunca mais se repetirá”.
A comissão tem autoridade para determinar se o governo deve pagar uma compensação pelas violações dos direitos humanos.
Caso seja aprovado o pedido de desculpas, ele diria respeito à prisão de 172 imigrantes e descendentes japoneses pelas autoridades brasileiras na Ilha Anchieta, no litoral de São Paulo, por cerca de dois anos, a partir de 1946.
Documentos apresentados à Comissão mostram que os japoneses na época foram maltratados e torturados na prisão. Alguns teriam sido presos por se recusarem a pisar uma imagem do imperador japonês ou uma bandeira japonesa num exercício destinado a testar a sua lealdade.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil rompeu relações diplomáticas com o Japão quando se juntou aos Aliados. Pessoas de ascendência japonesa receberam ordem de evacuar a cidade de Santos durante a guerra.
“Se [o governo brasileiro] pedir desculpas, isso restaurará a dignidade de nossos ancestrais e será uma grande ajuda para seus descendentes que se estabeleceram na sociedade brasileira”, disse Akira Miyagi, membro do Okinawa Kenjinkai. Ele ajudou a pressionar por um pedido de desculpas do governo brasileiro.
A Comissão havia rejeitado o pedido de desculpas em novembro de 2021, mas decidiu reconsiderá-lo após a mudança de governo em janeiro do ano passado.
Foto: iStockphoto
Ruínas da prisão que havia na Ilha de Anchieta, no litoral paulista
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