São Paulo, 20/abril – Considerado a segunda revolução automotiva por muitos especialistas, o sistema Toyota de produção (STP) foi copiado em vários países. Assentado sobre a mentalidade enxuta (Lean), ele evita o excesso de produção e estoque, conseguindo-se assim menor custo e giro financeiro mais rápido.
A maioria dos decasséguis já trabalhou dentro desse sistema, onde se ouve falar muito dos 5S (seiri, seiton, seisou, seiketsu e shitsuke).
Engenheiro mecânico, formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Hiroaki Kokudai, ministra palestras sobre o STP e presta consultoria a empresas sobre 5S e Lean há mais de 18 anos no Brasil, ajudando as empresas a descobrirem seus desperdícios.
Kokudai já ocupou cargos de supervisão e de gerência em empresas de autopeças por 26 anos. Foi examinador do Premio Nacional da Qualidade- 1994 e consultor do SINDIPEÇAS + JETRO em 1993, quando visitou todas as 11 montadoras japonesas.
Veja o que ele fala sobre o Sistema Toyota de Produção:
Muitos decasséguis que trabalham ou trabalharam no Japão, em empresas de autopeças, alimentação ou serviços trazem dentro de si muitos comportamentos que foram a base do sistema de produção mais eficaz do mundo: o Sistema Toyota de Produção (STP), hoje imitado no mundo todo.
Eles sabem o que é o tal do mottainai (desperdício da finalidade de algo) e como não devemos fazer coisas aos outros que seja meiwaku (incomodar os outros). A base profunda do STP está nestes conceitos.
No Japão pós- guerra de 1950, a Toyota teve que lutar para diminuir todos os desperdícios para poder sobreviver.
Como não podia desfrutar do luxo de ter estoques enormes de matérias primas , componentes e produtos acabados, notou nos supermercados americanos um sistema que ia repondo nas prateleiras somente o que era vendido, sem desperdício. Isso inspirou o pessoal da Toyota para o Kanban e o Just-in-time.
Como tinha que produzir veículos de vários modelos que os compradores pediam, tiveram que inventar maneiras inteligentes de fazer a troca de ferramentas nas prensas e máquinas operatrizes de maneira rápida, sem perda de tempo (o setup rápido).
O mais importante dos 5S
Como depois da guerra as cidades e as fábricas estavam bagunçadas e sujas, trouxeram dos americanos o house keeping e o melhoraram colocando o nome de “5S” ou “Go Es” que muitos decasséguis ainda fazem ou faziam nas empresas. Dentro dos “5S”, um dos mais importantes “S” é o da organização, para que todos saibam, num bater de olhos, onde estão as coisas: cada lugar com sua coisa, cada coisa em seu lugar.
A isso os ocidentais chamaram de “gestão à vista”. Para os japoneses, o próprio kanji já é uma gestão à vista, pois muitos dos ideogramas chineses vieram de ícones, de figuras.
Falando em melhorar, implantaram a filosofia do kaizen ou da melhoria contínua. Tudo pode ser melhorado: hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje. Nas fábricas, nos escritórios e nas casas.
Tudo isso sendo feito no genba, o local onde as coisas acontecem. Não de longe, imaginando como são as coisas. Nas televisões japonesas, se ouve a palavra genba com muita frequência.
“A Máquina que Mudou o Mundo”
Em 1984, acadêmicos da famosa universidade americana, o MIT (Massachusetts Institute of Technology), liderados por James P. Womack, começaram uma longa e abrangente pesquisa em 90 fábricas de veículos na América, na Europa e no Japão (14 países) para entender os rumos da indústria automobilística mundial: como eles eram projetados, planejados e fabricados.
A conclusão foi que havia uma grande superioridade da indústria automobilística japonesa, liderada pela Toyota: produzia carros com melhor qualidade, com a metade de horas-homem e metade de espaço fabril.
Em 1990, foi editado o livro “A Máquina que Mudou o Mundo” (Editora Campus, no Brasil) relatando as conclusões desta pesquisa.
Um dos pesquisadores, o primeiro engenheiro americano contratado por uma fábrica (NUMMI) que era um joint-venture entre a General Motors e a Toyota, no estado da Califórnia, o John Krafcik, achou que esse sistema de produção poderia ser chamado de Lean, que significa enxuto, em inglês.
Enquanto trabalham duro nas empresas do Japão, os brasileiros podem associar o que fazem no dia-a-dia com esses conceitos e espero que isso os ajude a desempenhar melhor seus trabalhos.
Aos que estão no Brasil também esses conceitos estão sendo aplicados em muitas empresas. Esses conceitos são tão lógicos e úteis que espero que os leitores também possam usar em suas empresas, como donos ou como colaboradores, no Japão ou no Brasil.
Foto: Hiroaki Kokudai, durante consultoria no Brasil (Cedida)




