Brasília, 19/abr – Parlamentares criaram nesta quinta-feira a CPI mista que pretende investigar as ligações políticas do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.
O requerimento conta até o momento com 337 assinaturas de deputados e 72 de senadores, acima do exigido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), de 171 nomes na Câmara e 27 no Senado.
Para iniciar a CPI mista é necessária a leitura do requerimento de criação em uma sessão do Congresso Nacional, como ocorreu nesta quinta, uma vez que parlamentares das duas Casas participam da CPI.
O número de nomes que apoiam a CPI mista ainda pode mudar, uma vez que parlamentares têm até a meia-noite desta quinta para voltar atrás e retirar ou acrescentar suas assinaturas.
A vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), que ocupa interinamente a presidência do Congresso Nacional, voltou a pedir que os líderes indiquem integrantes para a comissão até a terça-feira da próxima semana, na expectativa de poder instalar a comissão no mesmo dia ou na quarta-feira.
A deputada está interinamente na presidência do Congresso Nacional no lugar do senador José Sarney (PMDB-AP), que também preside o Senado. Sarney, de 81 anos, está internado desde sábado em São Paulo por problemas cardíacos e pediu licença médica.
Presídio
O advogado de Carlinhos Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, disse que não está preocupado com a integridade física de seu cliente no Presídio da Papuda, no Distrito Federal. Cachoeira chegou na manhã de quarta-feira à Papuda, vindo do Presídio de Segurança Máxima de Mossoró (RN), onde estava preso desde que foi deflagrada a Operação Monte Carlo, pela Polícia Federal, em fevereiro.
“Eu estive hoje com ele, não o conhecia, foi a primeira vez. Ele está bem. Essa ala onde ficam os presos federais é bem segura”, disse o advogado.
O Ministério Público Federal (MPF) recorreu à Justiça contra a transferência de Carlinhos Cachoeira, para o Presídio da Papuda, no Distrito Federal. Na ação, o MPF alega que a penitenciária não apresenta condições de impedir o poder de influência do preso.
Segundo Bastos, ainda não há previsão de quando o habeas corpus vai ser votado. “Ainda vai para a Procuradoria [Geral da República], deve ter uma semana, dez dias lá”. O advogado de Cachoeira disse ainda que não teve acesso aos documentos que estão no Supremo Tribunal Federal. “Esse negócio não é fácil de ler. É muita coisa. Temos uma equipe fazendo isso, sistematizando”.
Para Bastos não há constrangimento em defender uma pessoa acusada de participar de um esquema de corrupção. “Fui advogado por 45 anos antes de ser ministro da Justiça. Nosso sistema é baseado na presunção de inocência e no direito de todo acusado tem de ter um defensor”.
Carlinhos Cachoeira é apontado com o chefe da quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis e pagava propina para agentes públicos de segurança. Ele é acusado de comandar o jogo do bicho na Região Centro-Oeste, em especial no estado de Goiás. Ele foi preso durante a Operação Monte Carlo, deflagrada em fevereiro pela Polícia Federal, que resultou na prisão de 20 pessoas ligadas ao grupo criminoso.
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, são acusados de participar dos esquemas ilegais do empresário. O Parlamentar tem sido o mais atingido pelas denúncias. Vazamentos das conversas telefônicas mostram o senador recebendo orientação da Cachoeira sobre projetos em tramitação no Congresso Nacional.
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Depoimento do empresário do ramo de jogos, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, na CPI dos Bingos, em 2005
Agência Brasil




