Atualizado em: 03/04/2024 12:27
Brasília – O governo de Israel declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma “persona non grata” na segunda-feira (19), publicou a Jovem Pan.
A decisão vem em seguida à fala do presidente brasileiro comparando as ações de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto.
“Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma ‘persona non grata’ em Israel até que ele peça desculpas e se se retrate”, escreveu Israel Katz, ministro das Relações Exteriores de Israel, nas redes sociais.
Katz considerou a comparação entre a “guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas” como “um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto”.
O termo de persona non grata’ é usado para representar que um indivíduo não é bem-vindo naquele local.
Antes disso, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu havia reprendido as falas de Lula durante o fim de semana, ao afirmar que o presidente brasileiro havia “cruzado a linha vermelha” ao comparar a crise em Gaza com o Holocausto.
“As palavras do presidente do Brasil são vergonhosas e graves. Trata-se de banalizar o Holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender. Comparar Israel ao Holocausto nazista e a Hitler é cruzar uma linha vermelha. Israel luta pela sua defesa e pela garantia do seu futuro até à vitória completa, ao mesmo tempo em que defende o direito internacional”, disse Netanyahu.
A fala de Lula foi feita durante viagem oficial à África, quando ele questionou o tamanho da “consciência política” e o “tamanho do coração” daqueles que não estão vendo o cenário em Gaza.
“Não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio. Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre soldados altamente preparados contra mulheres e crianças. O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus.”
Desconforto brasileiro
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, se reuniu na segunda-feira (19) com o embaixador israelense no Brasil, Daniel Zonshine, no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, segundo o G1.
Ambos conversaram sobre o desconforto do Brasil com a postura do chanceler Israel Katz em relação ao embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer.
Katz levou Meyer para uma reunião de reprimenda no Museu do Holocausto, em Jerusalém, na segunda, quando informou ao governo brasileiro que Lula seria “persona non grata” em Israel até se retratar de declarações em que comparou as ações de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto.
O Itamaraty considerou o tratamento dado ao embaixador brasileiro “nada diplomático”, com a declaração de Katz dada em um lugar público, em hebraico, sendo depois traduzida para o representante da diplomacia brasileira.
O Itamaraty frisou que o governo do Brasil sempre procurou o equilíbrio, mas os termos usados pelo chanceler israelense “são inaceitáveis” e não ajudam as relações bilaterais.
Quando um governo convoca o embaixador de outro país para uma conversa, como fez Mauro Vieira, é uma demonstração de insatisfação e de busca por explicações da outra nação.
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro mandou Frederico Meyer voltar de Israel para o Brasil. Ele embarcará para a viagem de retorno nesta terça-feira (20).
Foto/Reprodução: Ricardo Stuckert/PR