Partidos ‘Os Violetas’, ‘Os piratas’, ‘Partido do Homem, da Natureza e da Proteção Animal’, ‘Partido da Família’. A lista é grande quando se trata de legendas pequenas nas eleições para o Parlamento alemão, realizadas neste domingo (27). Com temas às vezes distantes do senso comum, eles estão na disputa pelo voto, mas têm escassas chances de ocupar alguma cadeira.
Ao todo, são 27 legendas concorrendo – nem todas em todos os 16 estados do país. Seriam 29 se ‘O Partido’ e o ‘Partido Anarquista Pogo’ não tivessem ficado de fora. Eles não puderam participar do pleito por falta de estrutura política e porque, segundo as autoridades, defenderiam ideias de cunho racista ou muito estranhas mesmo.
É o caso do Partido Anarquista Pogo, fundado em 1981 por dois punks de Hannover. Entre as promessas de campanha, estão pensão para jovens em vez do benefício aos aposentados, fim da polícia, legalização de todas as drogas, fim da obrigatoriedade de estudar e a mais inusitada de todas: oferecer festas e bebida de graça em troca de votos.
Já o ‘Partido’, criado em 1994, diz ser a legenda alternativa para os eleitores decepcionados com os outros partidos. Declara ter uma campanha populista e tem como uma das propostas mais insólitas reconstruir o muro de Berlim. Pede ainda o fim da federação alemã, com uma nova Constituição discutida pelo povo.
Concorrendo com partidos mais fortes que têm representação no Parlamento, como o da União Democrata Cristã (CDU), da chanceler Angela Merckel, está na disputa o Partido do Homem, da Natureza e da Proteção Animal. Como o nome sugere, o foco é a preservação do meio ambiente e uma relação harmoniosa dele com os homens. Os integrantes desse grupo defendem o vegetarianismo e são contra a caça de qualquer tipo de bicho.
Esotéricos
Para os esotéricos, a opção é votar no partido ‘Os Violetas’, cuja campanha fala em uma política mais espiritual, que seja sustentável e respeite os direitos do homem. Fundada em 2001, a legenda prega a meditação e uma visão global do mundo, em que o foco não é o indivíduo. Para eles, o poder maior vem de Deus, não importando de que religião seja.
O acesso do governo a dados pessoais da sociedade na internet, como forma de vigilância, é a principal crítica do partido ‘Os Piratas’. A legenda criada em 2006, e com 6.200 filiados, afirma ser contra a venda de informação digital e defende a liberdade individual. Faz campanha para que todos possam acessar músicas pelo computador e consigam baixá-las de graça se for para uso pessoal e não comercial.
Considerado de extrema-direita, o Partido Nacional Democrata (sigla NPD, em alemão) ainda sobrevive após 45 anos. Fundada em 1964 e com 7 mil filiados, a legenda está presente em toda a Alemanha e adota uma posição crítica quanto aos estrangeiros. Quer o fim da imigração e dos alemães cujos parentes não tenham nascido no país. Os mais perseguidos são imigrantes, homossexuais e pessoas que defendam ideias esquerdistas. Para o cientista político Thomas Strelow, mesmo com uma postura política delicada, é prudente que o partido não seja extinto.
“É uma vergonha ele ainda existir. É melhor conversar com eles no plano político. Se fossem proibidos, ganhariam mais força e fariam um escândalo”, afirmou Strelow, que é diretor do Centro de Formação Política da cidade de Helmstedt.





