Pereira, Colômbia – Ao menos 132 pessoas morreram após um terremoto de magnitude 7,4 atingir o oeste da Colômbia na manhã de segunda-feira (10). Mais de 570 pessoas ficaram feridas, e as autoridades temem que o número de vítimas aumente, já que ainda há pessoas presas sob os escombros, informaram a CNN e a BBC.
O tremor ocorreu às 7h34, no horário local, e às 21h34 no Japão. De acordo com o Serviço Geológico Colombiano, o epicentro ocorreu a 103 quilômetros de profundidade, na província de Chocó.
O governo declarou estado de emergência e situação de desastre nacional. Militares chagaram às áreas afetadas para auxiliar nas buscas, enquanto equipes de resgate trabalham para retirar sobreviventes dos prédios destruídos.
Pereira concentra parte das mortes e dos desabamentos
A cidade de Pereira, localizada na região cafeeira da Colômbia e a cerca de 55 quilômetros do epicentro, registrou alguns dos danos mais graves.
As autoridades locais confirmaram ao menos 40 mortes na região metropolitana. Além disso, 65 prédios desabaram, e há suspeita de pessoas presas em 15 dessas estruturas.
Imagens verificadas pela BBC mostram pelo menos um edifício desmoronando na Plaza Bolívar, principal praça da cidade. Os registros também exibem destroços e uma grande nuvem de poeira no local, onde havia várias pessoas.
As autoridades emitiram um toque de recolher em algumas áreas de Pereira até as 5h de terça-feira (11).
Passageiros ficam seis horas presos em teleférico
Equipes resgataram 16 pessoas após permanecerem cerca de seis horas presas nas cabines do sistema de teleférico de Pereira, de acordo com a BBC.
Os passageiros estavam no local quando o terremoto ocorreu e conseguiram sair por volta das 13h30. O serviço permanecerá suspenso por tempo indeterminado para a realização de inspeções de segurança.
Em Manizales, outra cidade da região montanhosa cafeeira, passageiros também precisaram de ajuda em um teleférico. Os responsáveis suspenderam o funcionamento do sistema depois de identificar danos estruturais.
Prédios e hospital desabam em Cali
Em Cali, localizada cerca de 160 quilômetros ao sul de Pereira e a aproximadamente 200 quilômetros do epicentro, 32 prédios desabaram.
Entre as estruturas atingidas estavam as alas pediátrica e neonatal de um hospital. Equipes de emergência trabalham na retirada de pessoas dos escombros, de acordo com a CNN.
Um turista britânico que estava hospedado na cidade contou à BBC que acordou com o tremor e precisou correr para fora do hotel ainda de pijama. Apesar de o edifício não apresentar danos estruturais graves, surgiram rachaduras nas paredes, e partes da pintura e do reboco se soltaram.
Também ocorreram mortes em Manizales, Quibdó e Medellín, além de outras localidades nas regiões de Chocó e Valle del Cauca.
Epicentro não registra vítimas
O epicentro ocorreu perto do município de San José del Palmar, em uma área pouco desenvolvida do oeste colombiano, a cerca de 240 quilômetros de Bogotá.
Apesar da proximidade, o prefeito León Fabio Marín Moncada informou que não houve mortos nem feridos na cidade. As estradas de acesso, porém, foram danificadas.
O terremoto foi sentido em uma extensa área do oeste da Colômbia e também com intensidade em Bogotá. Alarmes foram acionados na capital, e moradores deixaram os edifícios e foram para as ruas por precaução.
Especialista descarta relação direta com terremotos na Venezuela
O tremor ocorreu pouco mais de um mês depois de dois terremotos deixarem mais de 6,3 mil mortos na Venezuela. Apesar da proximidade entre os países, um especialista ouvido pela CNN afirmou que os eventos ocorreram em contextos geológicos diferentes.
De acordo com Gustavo Ortiz, doutor em Ciências Geológicas do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina, terremotos no oeste da América do Sul costumam ocorrer quando a Placa de Nazca afunda sob a Placa Sul-Americana, em um processo chamado subducção.
Na Venezuela, os tremores envolveram o movimento lateral entre as placas Sul-Americana e do Caribe e ocorreram a menos de 20 quilômetros de profundidade. Já o terremoto na Colômbia foi registrado a mais de 100 quilômetros abaixo da superfície.




