Estocolmo, Suécia – Os gastos com armas militares no mundo aumentaram em 2023, atingindo o máximo histórico de 2,4 trilhões de dólares, segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz (SIPRI), de Estocolmo, na Suécia, publicou a France Presse.
As despesas militares aumentaram particularmente na Europa, Oriente Médio e Ásia, segundo o relatório do SIPRI.
“O gasto militar total está em alta… e pela primeira vez, desde 2009, vimos os gastos aumentarem em todas as cinco regiões geográficas”, disse Nan Tian, pesquisador sênior do SIPRI.
O aumento foi de 6,8% no ano passado, ou o “mais acentuado desde 2009”, segundo o relatório.
Para Tian, o aumento também é um reflexo da deterioração da paz e da segurança em todo o mundo. “Não existe realmente uma região no mundo onde as coisas tenham melhorado”, disse.
Os maiores gastadores foram os Estados Unidos, China, Rússia, Índia e Arábia Saudita, nessa ordem.
A continuação da guerra na Ucrânia levou a um aumento nos gastos da Ucrânia, da Rússia e de “uma série” de países europeus, disse Tian.
A Rússia aumentou seus gastos em 24%, num total de 109 mil bilhões de dólares em 2023, conforme o relatório do SIPRI.
Já os gastos militares da Ucrânia aumentaram 51%, atingindo 64,8 mil bilhões de dólares, mas o país também recebeu 35 bilhões de dólares em ajuda militar, a maior parte vinda dos EUA, o que significa que a ajuda e os gastos combinados equivaleram a mais de nove décimos dos gastos da Rússia.
Na Europa, a Polônia registou, de longe, o maior aumento nas despesas militares, um aumento de 75%, para 31,6 bilhões de dólares.
No Oriente Médio, Israel é o segundo maior gastador da região, e registrou um aumento de 24%, para 27,5 bilhões de dólares em 2023, principalmente após a ofensiva do país em Gaza em resposta ao ataque de 7 de Outubro do Hamas.
Mas no Oriente Médio, o maior gastador é a Arábia Saudita, que também elevou suas compras no setor em 4,3%, para cerca de 75,8 bilhões de dólares.
O líder mundial no setor são os Estados Unidos, que aumentaram os gastos em 2,3%, para 916 bilhões de dólares.
A China aumentou em mais de 6% os gastos com as suas forças armadas pelo 29º ano consecutivo, para cerca de 296 bilhões de dólares.
O movimento da China forçou o Japão a gastar 50,2 bilhões de dólares no ano passado, e Taiwan, 16,6 bilhões de dólares, um aumento de 11% para ambos os países.
A Índia desponta como quarta maior gastadora no mundo, com aumento de 4,3%, ou US$ 83,6 bilhões.
Com relação à América Central e nas Caraíbas, o aumento também foi registrado, mas não por guerras, e sim por causa do combate ao crime organizado.
Na República Dominicana o aumento de 14% se deu em razão do agravamento da violência das gangues no vizinho Haiti.
A República Democrática do Congo, na África, mais que duplicou os seus gastos (+105%) para 794 milhões de dólares, o maior aumento percentual de qualquer nação, devido às tensões com a vizinha Ruanda.
O Sudão do Sul registrou aumento de 78%, o segundo maior no continente, para o total de 1,1 bilhão de dólares.
Com a continuidade dos conflitos entre nações ou por outras razões, “a tendência crescente nos gastos militares é de que continue por pelo menos alguns anos”, segundo Tian.
ဓာတ်ပုံ- iStockphoto
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