Oizumi, 16/nov – Nos próximos dois anos, Newton Sonoki, 53, de Tóquio, terá a tarefa de levar os problemas e dificuldades dos brasileiros que vivem no Japão e também em outros países ao governo federal. Funcionário da Petrobras há mais de 28 anos e no Japão desde 2006, o executivo é um dos três candidatos eleitos do Conselho dos Representantes Representantes Brasileiros no Exterior (CRBE).
“A comunidade conseguiu eleger três dos quatro conselheiros titulares e dois conselheiros suplentes, e mostra que, de certa maneira, estamos organizados, mas que devemos nos preparar muito melhor para as próximas eleições”, afirmou o executivo, que criou um blog onde planeja debater e discutir possíveis temas a serem levados ao governo brasileiro.
Neste domingo 21, Sonoki e o também candidato eleito Carlos Shimoda irão participar de uma reunião em Tóquio juntamente com lideranças e a secretária de Comunidades da Embaixada do Brasil, Patrícia Cortes. Este encontro tem como objetivo a discussão de demandas e propostas a serem levadas para a III Conferência Brasileiros no Mundo, programado para 1º e 3 de dezembro, no Rio de Janeiro. A reunião será realizada na embaixada, a partir das 13h. “Estamos abertos a sempre receber sugestões para melhorar o convívio no exterior e debater com as autoridades e a comunidade os meios para aprimorar cada vez mais os direitos dos brasileiros no mundo”, afirmou Sonoki (foto abaixo).

Alternativa: Como pode avaliar o resultado das eleições do CRBE e a nomeação de três representantes daqui do Japão?
Newton Sonoki: Desde o início do processo, independentemente da minha candidatura, salientei que se a comunidade não fosse organizada, correríamos o risco de não termos representantes no CRBE. Creio que, em parte, o resultado mostra que os esforços da mídia em divulgar as eleições surtiram efeito, porém, não podemos deixar de salientar que o Líbano, com somente 10 mil expatriados, conseguiu eleger o candidato com maior número de votos da região.
Alternativa: Quais são as suas expectativas em relação a esse conselho? E em relação ao seu trabalho como conselheiro?
Sonoki: Ao levar em consideração as diferentes realidades de cada país ou mesmo de cada emigrado, o Conselho deverá eleger os aspectos prioritários e recomendá-los ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). Na sequência, o CRBE tem a obrigação de acompanhar, monitorar e cobrar resultado das ações do MRE quanto às nossas indicações. Pretendo debater e defender o aspecto da educação dos jovens brasileiros no Japão. É inadmissível termos mais de 20 mil alunos fora das escolas. Mas devemos também prestar atenção a outros fatos de outras comunidades, cujas prioridades podem ser completamente distintas e muito mais urgentes.
Alternativa: O que espera do primeiro encontro do conselho na 3ª Conferência Brasileiros no Mundo?
Sonoki: Acredito que será uma grande novidade para muita gente, inclusive com a distribuição de responsabilidades e obrigações. Uma das grandes atribuições do CRBE será a colaboração na organização e preparação dos trabalhos da Conferência dos Brasileiros no Mundo, pelo qual além dos próprios conselheiros, as lideranças das comunidades brasileiras no exterior irão expor suas necessidades, problemas e angústias. Esperamos que, após estes intensos debates, possamos orientar o MRE quanto às futuras ações junto aos órgãos governamentais de cada país. Acredito que várias experiências positivas que já foram aplicadas em alguns países poderão ser de extrema utilidade para outras realidades. O Conselho tem a obrigação de difundir, adotar ou adaptar estes projetos de sucesso.
Alternativa: De imediato, em sua opinião, o que precisa ser discutido e levado ao governo brasileiro?
Sonoki: Creio que o primeiro item a ser debatido e esclarecido é a questão do processo eleitoral, para que não pairem dúvidas sobre este. Acredito que o segundo ponto a ser discutido é a distribuição dos conselheiros da Região IV – Ásia, África, Oriente Médio e Oceania, pois colocar todos estes países, distantes e com realidades completamente diferentes juntos não é produtivo para ninguém. Como conselheiro, vou me empenhar para que se defina como prioritária a forte atuação do MRE junto aos Ministérios da Educação e da Cultura, para apoiarem as atividades desenvolvidas pelas ONGs, escolas, associações que trabalham em prol da educação da língua portuguesa, enviando-lhes material educativo de qualidade para serem utilizados pelos mesmos.




