Tóquio, Japão – A Suprema Corte do Japão rejeitou a apelação movida pela defesa do brasileiro Demerson Prates Almeida, de 51 anos, condenado à prisão por tempo indeterminado (muki choueki/無期懲役) por matar a esposa e roubar seus pertences em Suzuka (Mie), em 2023, informou a emissora NHK na quarta-feira (1).
O Tribunal Superior de Nagoia já havia rejeitado a apelação em segunda instância. Portanto, com o recurso recusado pela Suprema Corte em terceira e última instância, a sentença do brasileiro condenado no Japão por matar a esposa torna-se definitiva.
A defesa alegou que o réu não tinha intenção de matar. No entanto, o Tribunal Regional de Tsu (Mie) destacou que o brasileiro liderou o crime, que também teve participação de sua filha e do companheiro dela.
Prisão por tempo indeterminado
De acordo com a sentença, Demerson agiu com forte intenção de matar e executou pessoalmente a ação. Por isso, pegou a pena de prisão por tempo indeterminado, a segunda condenação mais grave no Japão antes da pena de morte.
Apesar de ser comparada à prisão perpétua (shuushin-kei/終身刑), que não existe no Japão, a prisão por tempo indeterminado não significa, necessariamente, que o condenado ficará preso pelo resto da vida.
A Justiça pode conceder uma espécie de liberdade condicional depois que o réu cumprir um determinado período, geralmente de 30 anos ou mais. Isso depende das condições de comportamento e outros fatores minuciosamente analisados.
အမှုကို နားလည်ပါ
Em 3 de maio de 2023, na cidade de Suzuka, Roseli Almeida Aihara morreu com mais de 10 golpes de machadinha perto do apartamento onde morava sozinha. Vinte dias após o crime, a polícia prendeu Demerson, o marido da vítima, sob suspeita de homicídio e outros crimes.
Também acabaram na prisão a filha mais velha de Demerson, Kimberly Kaori Aihara Almeida, e o companheiro dela, Lucas Haruyuki Hakozaki, por participação no crime.
Segundo a acusação, Demerson e Lucas agiram juntos para assassinar Roseli. Além disso, eles também receberam acusações de roubar uma bolsa da vítima contendo carteira e outros pertences. Mais tarde, eles sacaram cerca de 1,4 milhão de ienes em lojas de conveniência.
Lucas pegou uma pena de 20 anos de prisão.
Kaori foi acusada de auxiliar no crime ao atuar como vigia próximo ao local, avisando Demerson sobre o retorno de Roseli para casa. Ela recebeu uma condenação de 15 anos.
Réu não demonstrou arrependimento
Demerson recebeu a sentença de prisão por tempo indeterminado em dezembro do ano passado por ter planejado o assassinato Roseli. O tribunal ressaltou que ele apresentou explicações pouco razoáveis e não demonstrou arrependimento.
Durante a leitura da sentença, Demerson manteve-se cabisbaixo e sem expressão. Além disso, ele negou consistentemente ter tido intenção de matar, alegando durante o julgamento que Lucas foi o responsável pelo assassinato, enquanto ele tentou impedi-lo.




