O Pavilhão Brasil, organizado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), sediou o seminário “Brasil Japão Grain Talks 2025”. Na oportunidade foi discutido sobre o mercado global de grãos e o quanto o Brasil vem contribuindo com produção de soja, milho entre outros itens, com segurança alimentar, sustentabilidade, qualidade e quantidade, sem afetar reserva florestais. O evento foi organizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA) e o Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão (MAFF).
O Secretário Luis Rua, de Comércio e Relações Internacionais, do MAPA, destacou que “o Brasil estará sempre ao lado do Japão no fornecimento de produtos com segurança alimentar e o cumprimento das obrigações, sendo um provedor estável”. Em relação ao milho, por exemplo, ele informou que já é o segundo fornecedor para o Japão, estando atrás dos Estados Unidos.
O avanço do agronegócio brasileiro, comentou o Secretário, teve grande contribuição japonesa. “A produção da carne de frango contou com a disciplina e o cuidado de amigos japoneses que conhecem, inclusive, o nome do funcionário do frigorífico no Brasil, mostrando essa relação de confiança entre os dois países e continuaremos com esse trabalho”, ressaltou o secretário.
O deputy director-general Ken Sasaji, de Exportação e Negócios Internacionais, do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, disse que “estamos trabalhando para fortalecer a longa história de amizade entre o Brasil e o Japão”. Ele lembrou que foi assinado um memorando para contribuir com o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestas Sustentáveis, em 2024. Neste ano, conforme enumerou ele, foi assinado outro memorando de cooperação na área climática.
Cooperação
A gerente-substituta da Divisão de Assuntos Bilaterais do MAFF, Riko Terai, falou que “o Brasil é um importante parceiro no abastecimento de grãos”. Em junho deste ano, MAFF e MOFA (Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão) assinaram carta de intenção com Santa Catarina a fim de fortalecer cooperação em agronegócio, segurança alimentar e infraestrutura logística.
O Porto de São Francisco do Sul, localizado em Santa Catarina, é um dos locais para escoar a exportação brasileira de grãos.
O diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (ABIOVE), Daniel Furlan Amaral, ressaltou que em agosto de 2025, a mistura obrigatória de biodiesel foi elevada para 15% no diesel. A demanda por biodiesel para combustível marítimo contribuirá com o crescimento geral da demanda por óleo de soja. Ele informou que o país está preparando melhorias em ferrovias e que o Japão também poderia participar.
Dados
O Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (ABRAMILHO), Paulo Bertolini, apresentou dados numéricos sobre a potência do Brasil no agronegócio. A seguir alguns levantamentos:
- Área cultivada de milho dobrou de 1970 a 2024, passando de 11 milhões de hectares para 21 milhões nos respectivos anos.
- A produção cresceu 6 vezes, aumentando de 19 milhões de toneladas para 130 milhões.
- Agricultores preservam 33% de mata nativa localizada dentro das propriedades.
- Terra e o clima do país permitem até mais de uma safra por ano, proporcionando vantagem competitiva.
- Maior parte do milho produzido na segunda safra da soja.
- Brasil era importador de milho e passou a ser terceiro maior exportador do produto.
- Biotecnologia trouxe vantagem econômica, produtividade, redução de uso de defensivo químico nas lavouras. Foi aplicada em mais de 5 mil pequenos produtores rurais, que tiveram aumento de safra de 900 quilos por hectare para 8 mil quilos por hectares .
- Destino maior do milho vai para consumo animal (40), exportação (30%), etanol (18%), indústria (6%), consumo humano (2%), outros.
- Entre os países que compram milho estão Egito (14%), Vietnã (12%), Japão (7%).
O evento foi no dia 14 de agosto.




