Brasil – O novo Atlas da Violência 2025, divulgado nesta segunda-feira (12), escancara uma ferida crônica e brutal: o Brasil matou, em média, 60 jovens por dia em 2023. Foram 21.856 vidas ceifadas apenas no período. De 2013 a 2023, mais de 312 mil jovens — em sua maioria homens, negros, pobres — tiveram seus futuros encerrados por uma bala, quase sempre disparada por uma arma de fogo.
É como se o país apagasse uma sala de aula lotada por dia. É como se 20 Maracanãs cheios de jovens tivessem sido enterrados em silêncio nos últimos 11 anos.
12 milhões de anos de vida perdidos em 10 anos
Esses números não são apenas estatísticas. Cada jovem assassinado leva com ele anos potenciais de vida, de trabalho, de criação de famílias, de contribuição para a sociedade. De acordo com o relatório, 12 milhões de anos de vida foram perdidos entre 2013 e 2023, exclusivamente por homicídios com arma de fogo. É como se o Brasil tivesse condenado uma geração inteira à morte antes mesmo que ela pudesse começar a viver.
Armas de fogo estão presentes em 8 de cada 10 homicídios de jovens. A frieza desses números não expressa a dimensão da catástrofe. Isso representa um projeto falido de sociedade, onde ser jovem — especialmente jovem, negro e periférico — é estar em risco de morte antes mesmo de ter direitos garantidos.
Homicídios caem no Brasil
O país celebra a queda na taxa geral de homicídios, agora a menor dos últimos 11 anos (21,2 por 100 mil habitantes), mas qual a vitória se quase metade dos assassinados são jovens entre 15 e 29 anos? A juventude está morrendo, e a sociedade parece anestesiada.
Estados como Bahia e Amapá, onde a taxa de homicídios entre jovens chega a ser mais de 12 vezes maior que a de São Paulo, mostram que o genocídio juvenil tem endereço, cor e classe social. Enquanto isso, o debate público se esconde atrás de discursos genéricos sobre segurança, ignorando o fato de que estamos eliminando, dia após dia, nosso maior potencial de transformação.
Uma geração inteira enterrada antes dos sonhos
Os dados não deixam dúvidas: essa não é uma guerra contra o crime, é uma guerra contra o futuro. Cada jovem que morre é uma invenção que não será feita, uma música que não será composta, um filho que não será criado, um país que não será reconstruído.
Mortes no trânsito
A novidade do Atlas da Violência 2025 foi a sessão sobre Violência no Trânsito. Entre 2010 e 2019, o Brasil registrou aproximadamente 392 mil mortes em sinistros de transporte terrestre, um aumento, em números absolutos, de 13,5% em relação à década anterior. A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes apresentou um aumento de 2,3% no período.
Fonte: IPEA / Agência GOV / G1 / DW.com
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