Rússia – Na véspera das celebrações pelos 80 anos da vitória soviética contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um jantar oficial oferecido por ဗလာဒီမာ ပူတင် no Kremlin. O evento, realizado na noite de quinta-feira (8), reuniu diversos líderes estrangeiros convidados pelo governo russo para as comemorações do Dia da Vitória, celebrado na sexta-feira (9) com um desfile militar na Praça Vermelha, em Moscou.
O jantar simbolizou o apoio diplomático de Lula à cerimônia organizada pelo presidente russo, que tem utilizado a data como instrumento político para projetar força interna e externa em meio ao prolongado conflito com a Ucrânia, iniciado em 2022. A presença do presidente brasileiro ao lado de líderes como o chinês Xi Jinping despertou duras críticas de opositores e de autoridades ucranianas.
Líderes da oposição no Brasil apontaram que a participação de Lula no evento pode ser interpretada como um endosso ao governo russo, especialmente por ocorrer em um momento de forte isolamento internacional de Putin devido à guerra. A presença de Lula também reacendeu o debate sobre a neutralidade do Brasil no conflito do Leste Europeu. Apesar de Lula ter proposto um plano de paz conjunto com a China, sua postura tem sido considerada ambígua por representantes ucranianos, que veem proximidade excessiva com Moscou.
Na sexta-feira, enquanto tanques cruzavam a Praça Vermelha e Putin exaltava os feitos militares da Rússia, o líder russo anunciou uma “trégua humanitária” para o feriado. A Ucrânia, no entanto, classificou o cessar-fogo como uma farsa e acusou Moscou de violá-lo inúmeras vezes. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, repudiou a narrativa russa de “desnazificação”, chamando-a de “incompreensível” e denunciando o desfile como um “espetáculo cínico”.
Lula rebate críticas e diz que quer apenas a paz
Durante os últimos dias de sua viagem à Rússia, o presidente Lula foi questionado sobre os impactos diplomáticos de sua presença em Moscou durante a guerra na Ucrânia. Em meio a críticas, especialmente do presidente ucraniano Volodymyr Zelenski, Lula respondeu que a posição do Brasil em relação ao conflito é clara: a busca pela paz. Ele destacou que sua presença no país e sua participação no desfile do Dia da Vitória não alteram o posicionamento brasileiro. Durante reunião no Kremlin, Lula chegou a pedir diretamente a Vladimir Putin que estendesse o cessar-fogo temporário de três para trinta dias. O pedido não foi respondido por Putin. Em entrevista à imprensa, Lula afirmou: “Independente de eu ter vindo aqui, […] a nossa posição continua a mesma com aquilo que a gente pensa sobre a guerra da Ucrânia: nós queremos paz”.
“Se tudo for exploração política, você não pode fazer nada. A posição do Brasil, ela é muito, mas muito sólida, ou seja, independente de eu ter vindo aqui, independente de eu ir à China, independente de eu ir à Argentina, independente de eu ir a qualquer país, a nossa posição continua a mesma com aquilo que a gente pensa sobre a guerra da Ucrânia: nós queremos paz”, respondeu Lula.
Dia da Vitória
O Dia da Vitória (em russo, День Победы – Den Pobedy) é comemorado no dia 9 de maio na Rússia e em outros países da antiga União Soviética. Essa data marca a rendição da Alemanha nazista em 1945 e o fim da Segunda Guerra Mundial no front oriental europeu.
Enquanto o Dia da Vitória é celebrado no Ocidente no dia 8 de maio, por causa da assinatura do armistício em Reims, na França, os soviéticos só consideraram a rendição oficial com a assinatura do segundo tratado, já na madrugada do dia 9, em Berlim. A União Soviética teve um papel decisivo na derrota do nazismo, sofrendo imensas perdas humanas — cerca de 27 milhões de soviéticos morreram durante a guerra.
Significado atual:
- A data é um dos feriados mais importantes da Rússia e tem um forte valor simbólico e patriótico.
- É marcada por grandes desfiles militares, como o do Kremlin em Moscou, com tanques, mísseis, aviões e tropas marchando na Praça Vermelha.
- Também há homenagens a veteranos e milhões de cidadãos participam de atos como o “Regimento Imortal”, marchando com fotos de parentes que lutaram na guerra.
Hoje, o Dia da Vitória também é usado politicamente por lideranças russas — como Vladimir Putin — para reforçar o espírito nacionalista, a força militar do país e justificar algumas ações políticas e militares contemporâneas, como a guerra na Ucrânia.
ဓာတ်ပုံ- ရီကာဒို စတက်ကာ့တ် / ပြည်သူ့ဆက်ဆံရေး
