Nova York – O preço do petróleo ultrapassou US$ 100 por barril no domingo (8), impulsionado pela escalada da guerra no Irã e pelo temor de interrupções no fornecimento global de energia. É a primeira vez que o valor supera essa marca desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, informou a CNN.
A alta ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, região responsável por uma parcela significativa da produção mundial de petróleo.
Conflito no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o aumento do preço do petróleo em uma publicação nas redes sociais. De acordo com ele, o impacto econômico é pequeno diante da segurança internacional.
“Os preços do petróleo no curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar, são um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo. Só tolos pensariam diferente”, afirmou Trump.
Enquanto isso, investidores e operadores do mercado demonstram preocupação com possíveis restrições prolongadas no fluxo de petróleo. O temor aumentou após ataques a refinarias em países vizinhos do Oriente Médio.
Estreito de Ormuz aumenta tensão no mercado
O governo iraniano ameaçou atacar qualquer navio petroleiro que atravesse o Estreito de Ormuz. A rota marítima é considerada estratégica para o comércio global de energia.
De acordo com a CNN, cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo estreito, o que faz com que qualquer ameaça à região impacte diretamente o preço do produto.
Os contratos futuros de petróleo nos Estados Unidos subiram 18%, chegando a cerca de US$ 108 por barril. Durante a noite de domingo, o valor chegou a atingir brevemente US$ 110.
Já o Brent, referência internacional, registrou alta de 16%, aproximando-se também de US$ 108 por barril.
Petróleo pode chegar a US$ 150
Analistas avaliam que o cenário pode piorar caso o fluxo de navios não seja normalizado.
Homayoun Falakshahi, analista-chefe de pesquisa de petróleo da Kpler, afirmou que o barril pode alcançar US$ 150 nas próximas semanas.
“Se o tráfego pelo estreito não for retomado, o petróleo pode chegar a US$ 150 por barril até o final de março”, afirmou.
Governo dos EUA tenta evitar crise energética
O governo norte-americano anunciou medidas para tentar garantir o transporte de petróleo pela região.
Entre elas está um plano para oferecer seguro a petroleiros que cruzarem o Estreito de Ormuz. Seguradoras marítimas haviam informado que não cobririam navios na área em caso de ataques.
A Casa Branca também estuda organizar escoltas navais para as embarcações, de acordo com a CNN.
No entanto, especialistas afirmam que as medidas podem não ser suficientes para acalmar o mercado.
“Nossos especialistas em transporte marítimo dizem que o plano do governo pode ajudar, mas não será suficiente por si só”, disse Falakshahi. “Acredito que o mercado só se acalmará se houver uma desescalada significativa agora.”
Irã sinaliza possível retaliação
Um alto funcionário iraniano afirmou que o conflito entrou em uma “nova fase” após ataques israelenses contra instalações de armazenamento de petróleo no país.
Ele indicou que o Irã pode retaliar atingindo infraestrutura energética na região.
“O Irã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz até alcançar os resultados que deseja”, declarou.
Enquanto isso, produtores de petróleo enfrentam dificuldades para armazenar o excedente de produção. Sem espaço disponível, alguns já começaram a reduzir a extração.




