Tóquio, Japão – A diferença salarial entre homens e mulheres no Japão diminuiu levemente em 2024, segundo pesquisa divulgada pela agência Kyodo News com base em dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar. Apesar da melhora, especialistas afirmam que o avanço ocorre em ritmo lento.
O levantamento indica que, considerando o salário masculino como referência (100), o salário médio mensal das mulheres ficou em 75,8. O resultado representa uma melhora de apenas 1,5% em relação a cinco anos atrás.
Em 2024, os homens receberam em média ¥363.000 por mês, enquanto as mulheres ganharam ¥275.300, mostrando uma diferença próxima de ¥90.000 mensais.
Diferença salarial diminui lentamente
A evolução da diferença salarial entre homens e mulheres no Japão desacelerou na última década. Entre 1999 e 2004, a disparidade caiu cerca de 3%. Depois disso, o ritmo diminuiu.
Entre 2004 e 2009, a redução foi de 2,4%. Já entre 2009 e 2014, a queda chegou a 2,6%.
No entanto, os dados mais recentes mostram avanço ainda menor. Entre 2014 e 2019, a desigualdade recuou apenas 1,7%. Nos cinco anos seguintes, até 2024, a redução foi de 1,5%.
Para especialistas, esses números indicam que o país enfrenta dificuldades estruturais para reduzir a disparidade salarial entre gêneros.
Mulheres ainda ocupam poucos cargos de liderança
Além da diferença nos salários, a presença feminina em cargos de liderança continua limitada no Japão.
Dados do gabinete do governo mostram que, em 2024, apenas 15,9% dos cargos de chefia de seção eram ocupados por mulheres. Já nos cargos de gerência e direção, a participação feminina caiu para 9,8%.
A baixa representação contribui diretamente para a diferença salarial entre homens e mulheres no Japão, já que posições executivas costumam ter salários mais elevados.
Segundo analistas, políticas corporativas e expectativas sociais sobre papéis de gênero ainda influenciam a carreira profissional das mulheres.
Diferenças variam entre províncias
O estudo também apontou diferenças regionais na desigualdade salarial, com a província de Mie apresentando a maior disparidade, seguida por Ibaraki, Aichi, Tochigi e Shizuoka.
Essas regiões concentram setores industriais fortes, especialmente manufatura, e possui menor presença feminina em cargos de gestão.
Por outro lado, a menor desigualdade foi registrada em Okinawa, seguida pelas províncias de Kochi, Tottori, Shimane e Tokushima.
Estas áreas possuem economias menores e rendas médias mais baixas, portanto, têm menor distância salarial entre homens e mulheres.
Japão ainda distante dos níveis europeus
Para o professor Akira Kawaguchi, da Universidade Doshisha, especialista em igualdade de gênero, o país ainda levará tempo para alcançar níveis de equidade semelhantes aos de países europeus. “A diferença salarial entre gêneros tem melhorado, mas o ritmo é lento”, afirmou.




