Tóquio – Uma mudança significativa nas políticas de imigração do Japão está provocando apreensão na comunidade de empreendedores estrangeiros. As novas exigências para o visto de Gerente de Negócios (Business Manager), que visam aumentar a qualidade dos investimentos no país, elevaram consideravelmente os critérios de elegibilidade, gerando o temor de que muitos pequenos empresários não consigam renovar suas autorizações de residência.
De acordo com a reportagem produzida pela NHK, o ponto central da reforma é o aumento drástico no capital mínimo exigido, que saltou de 5 milhões para 30 milhões de ienes (aproximadamente 200 mil dólares). Além do aporte financeiro, as novas regras impõem a contratação obrigatória de pelo menos um funcionário japonês ou residente permanente em tempo integral e a comprovação de proficiência na língua japonesa em nível N2. Para novos aplicantes, também passou a ser exigida uma experiência prévia de gestão de pelo menos três anos ou formação acadêmica específica na área.
Relatos de empresários locais indicam um cenário de incerteza. Muitos operam negócios que, embora sustentáveis e lucrativos em menor escala, não atingem o novo patamar de capital ou não possuem estrutura para manter funcionários em tempo integral conforme os novos moldes. A preocupação é que essas medidas, desenhadas para combater “empresas de fachada”, acabem prejudicando empreendedores legítimos que contribuem para a economia local e para a diversidade cultural do arquipélago.
Especialistas em imigração observam que, embora exista um período de transição para quem já possui o visto, a pressão para se adequar aos novos padrões até o prazo final de renovação é alta. O governo japonês defende que as medidas são necessárias para garantir que os detentores do visto de gestão estejam, de fato, operando negócios com impacto econômico real e sustentável, mas o setor privado estrangeiro teme que o rigor excessivo possa desestimular a inovação e o empreendedorismo externo no país.
Fonte: NHK / Imagem: Reprodução




