Tóquio – Uma pesquisa realizada pelo jornal Asahi Shimbun, através do painel online Be Between, revelou uma mudança drástica na percepção da convivência com residentes do exterior no Japão. Segundo o levantamento publicado em 7 de fevereiro, 24% dos respondentes afirmaram encontrar pessoas de outros países regularmente em seu dia a dia. Embora o número represente cerca de um quarto da amostra, o dado é considerado expressivo quando comparado a pesquisas governamentais de décadas atrás, que registravam apenas 2% de respostas positivas para o mesmo questionamento.
O estudo utilizou o termo kaigai shusshin (pessoa do exterior) para abranger de forma mais ampla a diversidade dessa população. Entre os que interagem com residentes internacionais, o ambiente de trabalho lidera como o local de encontro mais comum, seguido por amizades pessoais, interações em estabelecimentos comerciais e convivência na vizinhança. Relatos individuais reforçam que, mesmo com barreiras linguísticas, o intercâmbio em academias, reuniões escolares e jantares comunitários tem se tornado parte da rotina de muitos japoneses.
Por outro lado, 76% dos participantes declararam não possuir contato frequente com estrangeiros. A justificativa predominante para esse distanciamento é a ausência geográfica dessas pessoas em certas regiões ou a falta de oportunidades para conhecê-las. Outras razões apontadas incluem o receio de não dominar um idioma estrangeiro e o nervosismo diante de possíveis diferenças culturais.
No que tange à coexistência harmônica, a maioria dos entrevistados concorda que o combate à discriminação e ao preconceito é a ação mais necessária. A compreensão de diferentes culturas e o acesso a informações corretas também foram amplamente citados como fundamentais para a integração. No entanto, o desafio da xenofobia ainda é presente, conforme apontado por leitores que sugerem tanto uma maior conscientização da população quanto regras claras de conduta pública para evitar atritos.
Questionados se o Japão é um país acolhedor, 60% dos respondentes responderam afirmativamente, enquanto 40% discordam. O debate sobre a desumanização do termo estrangeiro foi levantado por especialistas, que defendem a importância de reconhecer cada imigrante como um indivíduo único. Relatos de residentes estrangeiros de longa data indicam que, apesar de levarem vidas integradas e dominarem o idioma local, ainda enfrentam episódios de discriminação e tratamentos diferenciados que evidenciam o longo caminho para uma inclusão plena na sociedade japonesa.
Fonte: Asahi Shimbun / Japan Today / Imagem: iStock




