Yokohama, Japão — O Tribunal Regional de Yokohama proferiu, nesta terça-feira (27), a sentença de um caso que repercutiu no Japão pela imprudência ao volante. Yoshiyuki Hikota foi condenado a 12 anos de prisão pela morte de um casal após colidir seu Porsche a uma velocidade de aproximadamente 268 km/h em uma rodovia expressa, informou a emissora Nippon TV.
O trágico episódio ocorreu há seis anos, em agosto de 2020, nas proximidades do trevo de Higashi-Ogishima, na linha Wangan da Shuto Expressway. Na ocasião, o Porsche conduzido por Hikota, de 56 anos, atingiu violentamente a traseira do veículo onde viajavam Hitoshi Uchiyama (70 anos na época) e sua esposa Miyuki (63 anos). Ambos não resistiram aos ferimentos e faleceram no local.
O réu foi acusado de direção perigosa resultante em morte. Segundo a Promotoria Pública, Hikota dirigia a uma velocidade em que o controle do veículo era tecnicamente impossível, com o objetivo de impedir a passagem de um caminhão que trafegava na faixa ao lado.

Ao proferir a sentença, o juiz do Tribunal de Yokohama não poupou críticas à conduta do motorista. O magistrado classificou a velocidade de 268 km/h como “fora do comum” e destacou que conduzir dessa forma demonstra uma “maldade extrema”, dado o alto risco de morte em caso de colisão.
A decisão apontou que o réu confiava excessivamente em suas habilidades de direção, o que resultou em uma percepção de perigo drasticamente reduzida. O juiz descreveu a atitude de Hikota como “egocêntrica”, tratando a via pública como se fosse sua pista particular.
Durante o julgamento, a Promotoria pediu 15 anos de reclusão, argumentando que Hikota “monopolizou a pista como se fosse apenas sua”. Em contrapartida, a defesa tentou desqualificar o crime para homicídio culposo ao volante, com pena mais leve, alegando que não houve intenção de obstruir o tráfego.
O próprio réu negou que estivesse tentando bloquear outros veículos, mas admitiu um histórico preocupante: ele confessou ter dirigido o Porsche a mais de 200 km/h em “cinco ou seis ocasiões” anteriores. “Acredito que eu não tinha uma consciência tão forte sobre o perigo”, declarou Hikota durante o processo.




