Tóquio – O Japão registra um aumento histórico no fenômeno conhecido como divórcio na terceira idade, que envolve casais com mais de 20 anos de união. De acordo com uma análise do jornal Mainichi Shimbun baseada em dados oficiais, a proporção desses casos atingiu o recorde de 21,5% do total de separações no país, com os pedidos femininos dobrando o número de solicitações feitas pelos maridos.
Estatísticas do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar e o relatório judicial de 2024 apontam que as dissoluções matrimoniais tendem a se concentrar em períodos específicos, como as festas de fim de ano e o encerramento do ano fiscal em março. Em 2020, o mês de março liderou as estatísticas com quase 23 mil pedidos, representando 11,9% do volume anual. Nos tribunais de família, uniões duradouras já respondem por 26% das disputas matrimoniais.
De acordo com a matéria do Mainichi Shimbun, a vulnerabilidade econômica ainda marca o perfil das separações. Pedidos de divisão de despesas conjugais e pensão alimentícia foram feitos por esposas em quase 19 mil casos, um volume dez vezes maior que o de maridos. Segundo o Código Civil japonês, o cônjuge com maior renda deve sustentar o de menor renda durante o processo de separação, o que evidencia que muitas mulheres ainda buscam segurança financeira para formalizar o rompimento.
Entre os principais motivos citados pelas mulheres para o fim do casamento estão a incompatibilidade de personalidade, a falta de condições financeiras para o sustento da família e o abuso psicológico. Já os maridos apontam a personalidade incompatível, o abuso psicológico e os casos extraconjugais como as razões predominantes.
A reportagem entrevistou a advogada especializada Naoko Hayashi, que destacou a facilidade a informação por meio de smartphones e redes sociais proporcionou uma mudança na percepção das mulheres sobre a própria vida conjugal. Segundo a especialista, muitas clientes expressam o desejo de não serem mais vinculadas ao marido antes mesmo de sua morte. Hayashi observa que mulheres que antes aceitavam o casamento por dependência financeira agora identificam situações anormais em suas relações e optam por agir em vez de esperar passivamente.
Fonte: Mainichi Shimbun / Imagem: Istock




