Tóquio, Japão – O Japão espera que o ano de 2026 não seja influenciado por uma superstição sem fundamento científico, mas muito popular entre os mais antigos. Segundo o zodíaco chinês, o próximo ano será do “Hinoe-uma” (cavalo de fogo), o que gera preocupação entre os futuros pais.
Segundo reportagem do jornal The Asahi Shimbun, os anos de Hinoe-uma ocorrem a cada 60 anos, com base na combinação dos 12 signos animais e dos 10 troncos celestes.
Crianças nascidas sob este signo, mais especificamente meninas, sofrem há séculos discriminação por conta de uma crença de que mulheres nascidas no ano do Cavalo de Fogo são “de vontade forte, superam os homens, devoram sete maridos, levam à ruína suas famílias e não conseguem cumprir pacificamente seus deveres como mulheres”.
Outras crenças sobre as mulheres de Hinoe-uma incluem que elas possuíam “uma forte libido, como um cavalo vigoroso”. Acredita-se que essas ideias culminaram na noção de que mulheres nascidas no ano Hinoe-uma têm temperamentos explosivos e encurtam a vida de seus maridos.
Origem da superstição
A origem da superstição remonta ao Período Edo (1603-1867), com uma descrição aparecendo em uma coleção de poesia de 1662. Mais tarde, a superstição foi apresentada em poemas “senryu” e no teatro de marionetes “joruri”, disseminando a crença entre o povo.
Apesar das críticas de que a superstição do Hinoe-uma era “infundada e irracional”, ela permaneceu profundamente enraizada na cultura japonesa.
O impacto da superstição foi mais evidente durante o ano Hinoe-uma do Período Showa (1926-1989). Em 1966, o número de nascimentos no Japão foi de cerca de 1,36 milhão, uma diminuição de 460 mil, ou mais de 25%, em relação aos 1,82 milhão do ano anterior. Em 1967, o número recuperou para cerca de 1,93 milhão.




