Tóquio, Japão – O período de vigência do aviso de atenção sobre a possibilidade de um grande terremoto no nordeste do Japão terminou à 0h desta terça-feira (16), mas o governo e a Agência Meteorológica do país (JMA) realizaram uma coletiva de imprensa para reforçar que o risco não desapareceu por completo.
As autoridades pediram que a população mantenha, no dia a dia, as medidas de preparação para terremotos, informou a emissora NHK.
O aviso havia sido emitido após o terremoto de magnitude 7,5, registrado no dia 8, no leste da província de Aomori. Na ocasião, o governo avaliou que a probabilidade de ocorrência de um terremoto de grande porte ao longo das fossas tectônicas na região estava acima do normal e passou a orientar a população da costa entre Hokkaido e Chiba a revisar planos de emergência e adotar medidas especiais por uma semana.
Uma autoridade do governo destacou que, embora o aviso tenha sido encerrado, isso não significa que o risco de um grande terremoto tenha sido eliminado. Segundo ele, eventos sísmicos podem ocorrer de forma repentina, e a população deve continuar preparada.
A JMA explicou que a atividade sísmica na região do terremoto ao largo de Aomori vem diminuindo com o tempo, mas ainda permanece mais intensa do que antes do dia 8, e essa condição pode continuar por algum período.
Esta foi a primeira vez que o governo japonês emitiu o aviso de atenção na região de Hokkaido–Sanriku. No entanto, uma pesquisa conduzida pelo professor Naoya Sekiya, da Universidade de Tóquio, revelou que menos de 30% da população adotou as medidas de prevenção solicitadas.
O aviso era direcionado a moradores de regiões que vão de Hokkaido até a província de Chiba, pedindo que confirmassem os preparativos para terremotos e tsunamis e adotassem, por uma semana, medidas especiais, como carregar constantemente itens de emergência.
A pesquisa ouviu 9.400 pessoas, por meio da internet, durante três dias a partir do dia 10. Entre os moradores das áreas-alvo, cerca de 75% afirmaram ter visto ou ouvido falar do aviso, mas 42,1% não sabiam que a própria região onde vivem estava incluída na área afetada.
Mesmo a ação mais comum após o alerta — verificar estoques de água e alimentos — foi adotada por apenas 27,7% dos entrevistados. Já as medidas consideradas “especiais” tiveram adesão ainda menor: 9,7% disseram carregar sempre uma mochila de emergência, e 14,1% afirmaram manter prontidão para evacuação imediata, indicando que o impacto prático do aviso foi limitado.
Para o professor Sekiya, a situação é preocupante. Ele ressaltou que informações que não resultam em ações concretas perdem seu sentido, especialmente diante de cenários extremos que estimam até 199 mil mortes em um grande terremoto.
Segundo ele, será necessário reavaliar o formato e a comunicação desses alertas, para que efetivamente levem a população a se preparar.




