Tóquio, Japão – A polícia de Tóquio prendeu um inspetor assistente suspeito de ser um informante do Natural, um dos maiores grupos de aliciamento de mulheres para prostituição no Japão e alvo de grande investigação criminal, como informa o The Asahi Shimbun.
O suspeito, Daisuke Jinbo, de 43 anos, fazia parte do Departamento de Controle do Crime Organizado e era o oficial responsável pela investigação do Natural. A Polícia Metropolitana de Tóquio informou na última quarta-feira (12) que o funcionário teria fornecido informações privilegiadas ao grupo criminoso, o que pode ter ajudado a evitar a prisão de um dos membros investigados.
A polícia informou que encontrou 9 milhões de ienes em dinheiro vivo na casa de Jinbo em agosto deste ano. Investigadores não encontraram indícios de grandes saques em banco ou outras instituições financeiras e está investigando a origem do dinheiro e qual seria sua finalidade.
De acordo com a investigação, o suspeito enviou à organização imagens em duas ocasiões entre o final de abril e início de maio, mostrando como um local de ligado a um membro do grupo Natural aparecia em uma câmera de vigilância. As transmissões foram feitas utilizando um aplicativo para smartphone desenvolvido pelos próprios criminosos.
A polícia suspeitava que havia um informante infiltrado após a decisão de prender membros do grupo criminoso no final de janeiro. Enquanto investigadores realizavam vigilâncias dos integrantes, um deles desapareceu poucos dias antes das prisões planejadas.
O fato levou a polícia a abrir uma investigação interna afim de apurar a suspeita, que culminou na prisão de Jinbo e num pedido de desculpas público do Comissário-Geral da Polícia, Yoshinobu Kusunoki, em uma coletiva de imprensa na última quinta-feira (13). “Em meio aos esforços policiais em todo o país para combater os grupos criminosos, a prisão de um policial por vazar informações da investigação prejudica gravemente a confiança pública e é totalmente inaceitável”, afirmou.
Jinbo atuava na força policial desde 2004 e estava envolvido em investigações de crime organizado há cerca de 14 anos. Ele ingressou no Controle do Crime Organizado em dezembro de 2020 e foi responsável pela investigação do Natural de aproximadamente 2023 até a primavera deste ano.
Investigação continua em cima do grupo Natural
Natural é considerado um “tokuryu”, denominação para um grupo criminoso anônimo e com atuação fluida. A investigação começou devido a uma briga com outra organização criminosa e suspeitas de que mulheres estariam sendo exploradas pelos aliciadores.
O grupo possui pelo menos 1.500 membros ativos em zonas de entretenimento por todo o Japão. A polícia estima que, só em 2022, eles tenham faturado cerca de 4,45 bilhões de ienes com comissões pagas por estabelecimentos de entretenimento adulto.




