Osaka, Japão – A polícia de Osaka prendeu um homem e uma mulher, ambos vietnamitas na faixa dos 30 anos e residentes em Gunma, suspeitos de fraude para obtenção de visto de “habilidade específica”, informou o jornal Yomiuri na quinta-feira (23).
Segundo as autoridades, eles apresentaram certificados falsos de aprovação em exames de proficiência em japonês e de qualificação técnica ao Departamento de Imigração.
De acordo com a investigação, o homem apresentou em março do ano passado um falso certificado de aprovação no Teste Básico de Japonês e no exame de habilidades da indústria alimentícia ao Escritório Regional de Imigração de Tóquio.
Já a mulher teria feito o mesmo em agosto. Ambos conseguiram obter o visto de “Tokutei Ginou” (Habilidade Específica) e começaram a trabalhar em uma empresa de processamento de alimentos.
A polícia acredita que os dois — ex-estagiários técnicos — buscavam melhores salários e condições de trabalho, já que o visto de habilidade específica permite maior flexibilidade de emprego em comparação com o visto de estagiário.
Sistema de visto “Tokutei Ginou”
A criação do visto de habilidade específica ocorreu em 2019 para suprir a falta de mão de obra no Japão. Ele permite a contratação de estrangeiros em 16 setores, como construção civil, assistência a idosos e alimentação.
Há duas categorias:
- Tipo 1, com validade máxima de 5 anos e exigência de conhecimento básico de japonês e habilidades técnicas.
- Tipo 2, voltado a trabalhadores experientes, com direito à residência permanente no Japão
Até junho de 2025, o Japão contabilizava 333.123 trabalhadores com visto do tipo 1 e 3.073 com o tipo 2, segundo dados do governo.
Esquema de falsificação e uso de certificados
Os certificados falsos apresentavam fotos e nomes autênticos dos envolvidos, o que dificultou a descoberta da fraude.
A Fundação Japão, responsável pelo exame de língua japonesa, havia informado à polícia em dezembro do ano passado sobre cerca de 100 casos suspeitos de falsificação e uso de “testa de ferro” nos exames.
Durante a investigação, as autoridades prenderam nove pessoas — todas vietnamitas — por participar do esquema de substituição em provas e falsificação de certificados. Os depoimentos desses suspeitos levaram a polícia a identificar os dois presos em Osaka.
Falsificações circulam em redes sociais
Outras províncias também registraram casos semelhantes. Em 2023, a polícia prendeu uma mulher vietnamita em Kagawa por usar um certificado falso de exame técnico. Já em 2019, outra vietnamita foi detida em Osaka por falsificar o certificado de proficiência em japonês para conseguir emprego.
Especialistas alertam que redes sociais vietnamitas contêm diversos anúncios oferecendo falsificação de certificados. Segundo o professor Yoshihisa Saito, da Universidade de Kobe, há uma rede de falsificadores ativa dentro da comunidade vietnamita no Japão.
Falhas no sistema de verificação
A Agência de Imigração do Japão reconhece que a análise de documentos é predominantemente feita por meio de checagem de papéis, o que dificulta a identificação de fraudes sofisticadas.
O ex-funcionário da Imigração Yoichi Kinoshita, hoje advogado, afirmou que o aumento do número de estrangeiros no país tem sobrecarregado os processos de verificação.
“É essencial que os órgãos de imigração e as entidades responsáveis pelos exames revisem os processos para evitar que outras fraudes passem despercebidas”, disse Kinoshita.




