São Paulo – O governo de São Paulo confirmou na quarta-feira (8) a quinta morte causada por bebida adulterada com metanol no estado. As vítimas são três homens de 54, 46 e 45 anos, residentes da cidade de São Paulo, uma mulher de 30 anos, de São Bernardo do Campo, e um homem de Osasco de 23 anos.
O governo confirmou ainda outros 15 casos de intoxicação pela substância e 181 em investigação. Além disso, há também 6 mortes em investigação.
A capital paulista é a cidade com mais casos confirmados: 16, seguida de Osasco (1), São Bernardo do Campo (1), Itapecerica da Serra (1), e Guarulhos (1).
Segundo o governo do estado, ao todo, 12 estabelecimentos já foram interditados e 23 locais fiscalizados pelas equipes da Vigilância Sanitária Estadual, em parceria com as vigilâncias municipais, o Procon e a Polícia Civil.
A Secretaria da Fazenda e Planejamento suspendeu preventivamente a inscrição estadual de seis distribuidoras e dois bares, totalizando oito estabelecimentos.
Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde confirmou, até agora, 24 casos de intoxicação por bebidas adulteradas com metanol.
Na segunda-feira (6), existiam 17 confirmações de contaminação por metanol e 217 notificações. Esse número subiu para 259 suspeitas, sendo que, nesse momento, há 235 em investigação.
Entenda o caso
Os primeiros casos de intoxicação por bebidas adulteradas com metanol surgiram em São Paulo no mês passado. Pacientes apresentaram sintomas como cegueira súbita, confusão mental e coma.
Em 28 de setembro, a Secretaria Estadual da Saúde confirmou os primeiros óbitos. Investigações iniciais apontaram para bebidas destiladas falsificadas, como vodca e gin.
De acordo com o G1, a Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram no início de outubro a operação “Carbono Oculto”, que revelou um esquema de falsificação de bebidas envolvendo o uso de metanol para aumentar o volume de produtos ou higienizar garrafas reaproveitadas.
Há suspeitas de desvio de metanol de redes criminosas ligadas à adulteração de combustíveis, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O governo de São Paulo criou um gabinete de crise e intensificou as fiscalizações. Fiscais apreenderam mais de 7 mil garrafas e policiais prenderam 45 pessoas suspeitas, informou o G1. Além disso, houve interdição de bares no país pela venda dessas bebidas.

Efeitos do metanol no organismo
O metanol, quando ingerido, transforma-se em formaldeído e ácido fórmico — substâncias que causam acidose metabólica, cegueira, coma e até a morte.
Os sintomas podem surgir entre 12 e 24 horas após o consumo, e incluem visão turva, dor de cabeça intensa, confusão mental e dificuldade respiratória.
O tratamento exige uso de antídotos como o fomepizol e, em casos graves, hemodiálise.
Falta de monitoramento
As intoxicações reacenderam o debate sobre a rastreabilidade das bebidas alcoólicas no país. Desde 2016, o Brasil não conta com um sistema ativo de monitoramento do fluxo de bebidas. Isso dificulta a identificação de produtos falsificados, segundo o UOL.
O Ministério da Agricultura, vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, Procons e polícias dividem a função de fiscalização.
O responsável mais direto quando uma bebida contém metanol é quem a fabricou ou a adulterou (misturando a substância para cortar custos ou por erro técnico).
Mesmo que a adulteração ocorra numa etapa anterior, as autoridades podem responsabilizar quem importa, distribui ou revende produtos sem checar procedência.
Bares e casas noturnas que compram e vendem bebidas sem procedência verificada também podem responder por colocar à venda produto perigoso.




