Tóquio, Japão – Os ataques de ursos no Japão aumentaram em setembro. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 39 pessoas ficaram feridas em todo o país, o maior número para este mês nos últimos dez anos, informou a emissora NHK nesta terça-feira (7).
Especialistas alertam que a escassez de alimento nas montanhas está empurrando os ursos para áreas habitadas.
Durante o mês de setembro, os ursos atacaram 39 pessoas, principalmente nas regiões de Akita (11 casos), Iwate (9) e Fukushima e Niigata (4 cada).
De abril até o final de setembro, 108 pessoas foram atacadas, e cinco morreram — duas em Hokkaido, uma em Iwate, uma em Akita e uma em Nagano.
Em 2023, seis pessoas morreram após ataques, o número mais alto desde que o governo começou o monitoramento atual, em 2008. Este ano, os casos continuam aumentando: no início de outubro, uma mulher morreu em Miyagi enquanto colhia cogumelos e os animais atacaram ao menos 17 pessoas em Akita, Iwate e Gifu.
Falta de alimento nas montanhas agrava o problema
De acordo com dados compilados pela NHK, as árvores de castanha e outros frutos — principais alimentos dos ursos — tiveram uma baixa produção em grande parte do Japão.
A escassez de “donguri” (bolotas) faz com que os ursos desçam das montanhas em busca de comida, aumentando os encontros com humanos.
Em 21 províncias, incluindo Tohoku, Niigata e Nagano, a produção de buna (faia japonesa) foi considerada ruim, enquanto Tochigi e Tóquio tiveram colheita mediana.
Historicamente, anos de má produção de bolotas estão ligados a um aumento dos ataques entre o outono e o início do inverno. Em 2023, quando a produção também foi fraca, os ataques atingiram o pico em outubro.
Ursos se adaptam e perdem o medo de humanos
O professor Tsuyoshi Yamauchi, da Faculdade de Agricultura da Universidade de Iwate, explica que muitos ursos já aprenderam que há “comida fácil” nas áreas habitadas.
“Este ano, além da falta de alimento nas montanhas, há muitos ursos que associam os vilarejos a fontes de comida. Alguns deles são filhotes de ursos que apareceram há dois anos e agora veem áreas habitadas como parte do seu território”, disse o especialista.
Yamauchi alerta que a tendência de comportamento mais ousado dos ursos tem crescido nos últimos anos, e que as pessoas precisam abandonar a ideia de que ‘nunca houve ursos por aqui’.
Recomendações para evitar ataques
Autoridades e especialistas reforçam medidas de prevenção em áreas rurais e de montanha:
- Instalar cercas elétricas em plantações e limpar o mato ao redor.
- Recolher o lixo e frutas maduras (como caquis) para evitar atrair ursos.
- Evitar caminhar sozinho em áreas de floresta
- Se precisar andar nesses locais, use sinos, rádios ou apitos para sinalizar presença humana.
- Carregar spray repelente de urso e mantê-lo em local de fácil acesso.
- Em caso de encontro, não corra nem grite de forma brusca. Se o ataque for inevitável, deite de bruços e proteja o rosto e o pescoço com as mãos.
Com a previsão de escassez de alimento em regiões como Tohoku e Nagano, o risco de novos ataques deve continuar alto até o início do inverno.
Autoridades locais pedem atenção redobrada, especialmente para caçadores, agricultores e pessoas que colhem cogumelos e castanhas nas montanhas.




