Atualizado em: 03/04/2024 11:59
São Paulo – Alison dos Santos Rodrigues, de 18 anos, perdeu a vaga no curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) pelo fato de não ser considerado pardo, segundo julgamento feito por uma banca da instituição. A família do jovem entrou com uma ação na justiça para reverter a decisão, segundo o G1.
O jovem é de Cerqueira César, interior de São Paulo, e foi aprovado na primeira chamada pelo Provão Paulista no curso mais concorrido da USP. Mas ficou sabendo que havia perdido a vaga na segunda-feira (26), quando seria seu primeiro dia de aula.
Alison disse que sempre se autodeclarou pardo, e a perda da vaga no curso o deixou sem chão. “Parece que o mundo acabou, porque foi algo muito difícil de conquistar”.
A advogada do jovem, Giulliane Jovitta Basseto Fittipald, afirmou que abriu um processo de tutela antecipada antecedente, que é uma alternativa processual que permite às partes buscarem medidas provisórias de forma rápida.
A USP declarou que a análise das fotografias é feita por duas bancas de cinco pessoas e é baseada somente em fatores fenotípicos: a cor da pele morena ou retinta, o nariz de base achatada e larga, os cabelos ondulados, encaracolados ou crespos e se os lábios são grossos.
Segundo a universidade, se a foto do candidato não for aprovada na primeira avaliação, ela é direcionada para a outra banca. “Nenhuma banca sabe se a foto está sendo analisada pela primeira ou segunda vez, o que garante uma dupla análise cega das fotografias”, afirma a USP em nota.
Caso as duas bancas não aprovarem a foto por maioria simples, o candidato é automaticamente chamado para uma oitiva presencial.
Em nota, a USP informou o seguinte: “Em relação ao caso específico do estudante Alison dos Santos Rodrigues, a deliberação final se deu na sexta-feira (23) e foi enviada no dia subsequente. Importante frisar que todos os candidatos que estavam com recursos sendo analisados sabiam que a matrícula estava condicionada ao resultado das bancas de heteroidentificação. O que o estudante tinha era uma pré-matrícula condicionada ao resultado do processo de heteroidentificação.”
A USP publicou em seu site que se trata do sistema de cotas, que permite a presença de pessoas negras, pretas e pardas na universidade. Como já ocorreram fraudes no setor, com candidatos se autodeclarando negros, mesmo não sendo, e ocupando o lugar dos estudantes cotistas, a instituição decidiu criar as bancas de heteoridentificação, para confirmar a autodeclaração feita pelos candidatos.
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
O jovem de Cerqueira César (SP) foi aprovado no curso de medicina da USP, mas perdeu a matrícula




