Cuba – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse durante a cúpula do G77+China, no Palácio de Convenções, em Havana, que Cuba é vítima de “embargo ilegal” e contesta a inclusão do país na lista de Estados patrocinadores do terrorismo, publicou a France Presse.
O discurso de Lula era aguardado diante das tensões que suas declarações provocaram em relação a outros temas nas últimas semanas.
Mais uma vez o mandatário do Brasil defendeu ditaduras e estremeceu sua relação com o Ocidente, especialmente os Estados Unidos.
Lula disse: “É de especial significado que, neste momento de grandes transformações geopolíticas, esta cúpula seja realizada aqui, em Havana. Cuba tem sido defensora de uma governança global mais justa e, até hoje, é vítima de um embargo econômico ilegal. O Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral. Rechaçamos a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo.”
O embargo econômico que os Estados Unidos impõem à ilha desde 1962, depois que Fidel Castro tomou o poder no país e instaurou um regime comunista, proíbe empresas e cidadãos americanos ou que tenham negócios nos Estados Unidos de comercializar com Cuba.
O presidente brasileiro disse que a cúpula do G77 expôs as anomalias do comércio global e para defender a construção de uma nova ordem econômica internacional. “Infelizmente, muitas das nossas demandas nunca foram atendidas. A governança mundial segue assimétrica. A ONU (Organização das Nações Unidas), o sistema Bretton Woods e a OMC (Organização Mundial do Comércio) estão perdendo credibilidade.”
O duro discurso contra países ocidentais aumentou a tensão quanto à chegada de Lula na Assembleia das Nações Unidas.
Oficialmente, a reunião da ONU já começou, mas o Debate Geral, com pronunciamentos de todos os Estados-membros, será nesta terça-feira (19), e deverá encerrar apenas na terça seguinte, dia 26.
Dois meses fora do Brasil
Logo que retornar ao Brasil dessas duas viagens, o presidente Lula terá somado quase dois esses de seu terceiro mandato em viagens ao exterior, o que é um recorde entre os governos anteriores, publicou a Jovem Pan.
Neste ano, Lula já visitou quase 20 países, incluindo: Argentina, Uruguai, Estados Unidos, China, Emirados Árabes Unidos, Portugal, Espanha, Reino Unido, Japão, Itália França, Vaticano, Colômbia, Cabo Verde, África do Sul, Índia e outros.
Somadas, as viagens vão representar 56 dias fora do território brasileiro – já incluindo o período em Cuba e Nova York.
Um cálculo feito pela emissora Jovem Pan em maio mostrou que as viagens internacionais do líder brasileiro totalizaram mais de 80 mil quilômetros e quase duas voltas ao mundo.
Nos governos anteriores, durante os primeiros cinco meses de mandato, Jair Bolsonaro (PL) se ausentou por 17 dias; Michel Temer (MDB), por 15 dias; e Dilma Rousseff (PT), por 12 dias no primeiro mandato e 8 dias no segundo.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula, durante encontro com o Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, em Havana