Los Angeles – A Sony Pictures Entertainment disse a algumas empresas de notícias no domingo para pararem de publicar informações contidas em documentos roubados por hackers que atacaram a rede de computadores do estúdio no mês passado, disseram três grupos de mídia.
O The New York Times, o The Hollywood Reporter e a Variety publicaram matérias noticiando que cada um recebeu uma carta de David Boies, advogado da Sony, exigindo que as publicações parem de divulgar informações contidas nos documentos e os destruam imediatamente.
O estúdio “não consente com sua posse, análise, cópia, disseminação, publicação, carregamento, download ou qualquer uso” da informação, disse Boies na carta, segundo a reportagem do New York Times.
Um porta-voz da Sony não quis comentar sobre as notícias. Representantes da Variety e do The Hollywood Reporter não puderam ser contatados imediamente via email.
A porta-voz do New York Times Eileen Murphy disse: “Quaisquer decisões sobre o uso ou como usar qualquer parte das informações levará em conta tanto o peso das notícias quanto as perguntas sobre como as informações surgiram e quem as acessou”.
Um porta-voz para Boies confirmou que ele enviou uma carta a certos veículos de imprensa em nome da Sony, mas não quis discutir os detalhes.
“ONE SONY”
E-mails que vazaram revelam um abismo cultural entre a japonesa Sony e a Sony Pictures Entertainment, sua subsidiária em Hollywood, reforçando o desafio para o presidente-executivo Kazuo Hirai reestruturar a deficitária companhia sob o lema “One Sony” (Uma Sony).
O conglomerado japonês caminha para seu quinto prejuízo líquido em seis anos, levantando questões sobre sua capacidade de continuar com negócios que vão desde a fabricação de TVs até a produção de filmes. Embora o investidor ativista de fundos de hedge Daniel Loeb tenha desistido de defender que a Sony faça a cisão de sua unidade de entretenimento, outros acreditam que a empresa deve sair de linhas de produtos fracas como TVs.
O bilíngue Hirai está ligado a ambos os lados da Sony, sendo que tem experiência em ambos os negócios de videogames e música. Ele é portanto amplamente considerado como um dos poucos executivos da companhia capazes de aproximar as culturas industriais e cinematográficas de Tóquio e Hollywood.
Porém, junto a piadas sobre raça relacionadas ao presidente norte-americano Barack Obama e declarações depreciativas sobre grandes atores, os emails vazados de executivos da Sony Pictures revelam tensões entre Hirai e o estúdio de filmes.
Os emails foram vazados após um ataque eletrônico contra os sistemas da Sony no mês passado por um grupo que exige que a companhia não lançasse o filme “A Entrevista”, uma comédia criticada pela Coreia do Norte por ter uma cena que mostra o assassinato do líder do país. Os emails mostraram que Hirai ordenou que o filme fosse atenuado e encontrou resistência dos criadores do filme, incluindo o codiretor e ator Seth Rogen. A copresidente do Conselho da Sony Pictures Amy Pascal tentou mediar a situação.
Os emails também mostraram como executivos do cinema veem Hirai e o vice-presidente financeiro Kenichiro Yoshida com apreensão antes de cortes de custos com o objetivo de elevar as margens de lucro.
A Sony não quis dar comentários para este artigo e Hirai não foi disponibilizado para entrevistas.
Foto: Reuters
Presidente-executivo da Sony, Kazuo Hirai




