Tóquio, Japão – A fabricante de bebidas Ito En usou a imagem de uma mulher feita por inteligência artificial (IA) para estrelar um comercial de TV para seus produtos, publicou o Japan Times.
A mulher, que tem cabelos grisalhos e aparência alegre, aparece segurando uma garrafa de chá frio enquanto salta em direção à câmera. A cena então muda do futuro para o presente, onde ela parece visivelmente mais jovem e toma um gole da bebida.
Seria um comercial como outro qualquer, exceto pelo fato de a “atriz” ter sido gerada por inteligência artificial.
Apesar da polêmica que a tecnologia vem gerando em vários setores, a iniciativa faz parte do projeto de marketing da Ito En na divulgação de 15 segundos para o seu produto Oi Ocha Catechin Green Tea.
A empresa informa que tenta transmitir, no comercial, a ideia de que “a hora de mudar o futuro é agora”, e incentiva o espectador a beber o chá para se manter saudável à medida que envelhece.
O comercial foi feito em parceria com a AI Model, empresa especializada na criação de artistas gerados por IA para marketing e moda. A empresa também já trabalhou com o Isetan Studio.
A fabricante de bebidas Ito En também usou o recurso tecnológico para gerar várias opções de design para suas embalagens de garrafas plásticas desenvolvidas pela empresa de pesquisa e design Plug.
Mas a recepção do público à novidade tem sido mista no aplicativo X, antigo Twitter. Alguns elogiaram a iniciativa, enquanto outros comentaram que a inteligência artificial acabará substituindo os humanos no futuro.
Na mesma linha, a editora Shueisha lançou seu primeiro álbum de fotos digitais com uma modelo gerada por inteligência artificial. Mas a empresa interrompeu as vendas dez dias depois após críticas do público, que reclamou que o projeto tira o emprego de modelos reais.
Uma pesquisa realizada no início deste ano pela Art Workers Japan, uma associação de freelancers nas indústrias de artes e entretenimento, revelou que quase 94% dos cerca de 27.000 entrevistados estavam preocupados com a violação de direitos autorais e os efeitos nocivos da IA, enquanto 58,5% temiam perder seus empregos.
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