Tóquio – Uma investigação da Agência de Imigração do Japão concluiu nesta terça-feira que a morte de uma estrangeira no centro de detenção de Nagoia (Aichi) foi causado pelo tratamento inadequado dos funcionários do órgão, informou o jornal Asahi.
Wishma Sandamali, 33 anos, do Sri Lanka, morreu em março deste ano por falta de assistência médica, depois de ela ter reclamado de dores no estômago e outros sintomas em janeiro.
O centro de detenção não concedeu liberdade provisória à estrangeira para que ela pudesse passar por tratamento hospitalar.
A investigação também descobriu que os apelos de Wishma para tratamento médico fora do centro de detenção nunca foram relatados à equipe de gerenciamento, violando a própria regra da instalação.
O diretor do centro de detenção e outros três funcionários foram punidos apenas com advertências.
A ministra da Justiça, Yoko Kamikawa, pediu desculpas pela falta de assistência a Wishma nas instalações de Nagoia e prometeu reformar os serviços de imigração do país.
“Lamento profundamente sobre como ela deve ter se sentido solitária, ansiosa e sem esperança enquanto sua saúde se deteriorava”, disse Kamikawa em uma entrevista coletiva.
“O escritório de Nagoia não teve consciência de sua responsabilidade de garantir a segurança das pessoas e se relacionar com elas de maneira respeitosa”, disse Shoko Sasaki, chefe da Agência de Serviços de Imigração do Japão.
A Agência montou uma equipe de investigação e ouviu especialistas, incluindo profissionais médicos, sobre o caso de Wishma, que veio para o Japão em 2017 com visto de estudante e foi levada para o centro de detenção em agosto do ano passado por estar com o visto vencido.
Devido à repercussão do caso, o governo japonês retirou um projeto de lei para facilitar a deportação de candidatos reprovados ao status de refugiado.
Membros do Partido Liberal Democrata (PLD), do primeiro-ministro Yoshihide Suga, abandonaram a tentativa de aprovar uma revisão da lei de imigração, que permitiria ao governo deportar requerentes ao status de refugiado após três pedidos recusados.
O governo alegou que a mudança resolveria o problema das longas detenções nos centros de imigração. Advogados, legisladores da oposição e grupos de direitos humanos disseram que isso vai contra as normas internacionais.
No sistema atual, alguns solicitantes de refúgio recebem liberdade provisória dos centros de detenção durante o processo de asilo, o que significa que podem viver com relativa liberdade, embora não possam trabalhar. Outros são mantidos nos centros, onde passam meses ou mesmo anos.
O Japão costuma ser reticente em relação à imigração e ao asilo de refugiados, apesar do envelhecimento da população e da redução da força de trabalho que, segundo os economistas, poderia ser aliviada com a aceitação de mais estrangeiros.
Em 2019, menos de 1% dos pedidos de asilo foi aprovado no Japão, contra 25,9% na Alemanha e 29,6% nos Estados Unidos.
Foto: Reprodução/Facebook
Wishma Sandamali morreu em março enquanto estava detida no centro de imigração de Nagoia




