Tóquio – Mais de 60% dos japoneses pensam que a igualdade de gênero não é realizada no país, apesar dos esforços do governo nesse sentido, mostrou uma pesquisa da Kyodo News. Porém, 77% dos entrevistados esperam um dia ver uma primeira-ministra no comando do Japão.
No que diz respeito ao fato de a igualdade de gênero ainda ser insuficiente, o dado sobe para 70% se for contar apenas a opinião das mulheres, entre os 64% do total de entrevistados, e fica em 57% entre os homens.
A pesquisa mostrou também que 80% dos entrevistados disseram que os homens recebem tratamento preferencial na política e em outros setores da sociedade.
No levantamento da Kyodo, 60% acreditam que os casais deveriam manter seus próprios sobrenomes, enquanto 38% não concordaram com esta ideia. Pelo Código Civil do país, um casal deve ter um sobrenome compartilhado.
O Japão ainda luta para melhorar sua posição num ranking mundial de países em que há diferenças no tratamento aos gêneros.
O país ocupa o 120º lugar entre 156 nações. E se for considerar apenas as economias avançadas, fica em último lugar, segundo o Fórum Econômico Mundial divulgou em março.
A meta do governo do Japão em 2003 era de contar com 30% de mulheres nos cargos de liderança no país até 2020, mas falhou, tendo que adiar a data para alcançar esse objetivo.
A realidade vigente no país ficou exposta em fevereiro quando o então chefe do Comitê Organizador das Olimpíadas de Tóquio, Yoshiro Mori, disse que as mulheres tendem a falar demais em reuniões. As críticas geradas a partir de seu comentário foram tantas que Mori precisou deixar o cargo.
Os entrevistados disseram que as mulheres deveriam ter mais oportunidades de ocupar cargos como de legisladoras e prefeitas (52%), ministras (48%), e membros de assembleias locais (47%).
Para 59% dos entrevistados, essas metas serão alcançadas quando for eliminado o sentimento de resistência do lado masculino, enquanto 55% disseram que será preciso promover “apoio para (a mulher) lidar com o trabalho e tarefas domésticas”, como limpeza, criação de filhos e cuidar de familiares idosos.
O levantamento foi feito entre março e abril e teve como algo 3.000 pessoas com 18 anos de idade ou mais, dos quais 61,3% enviaram respostas válidas.
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