Seul – O presidente sul-coreano Moon Jae-in ordenou às autoridades nesta quarta-feira (14) que preparassem uma petição em um tribunal internacional sobre a decisão do Japão de liberar água da usina nuclear de Fukushima no mar, disse seu porta-voz, em meio a protestos de grupos pesqueiros e ambientais.
O Japão divulgou na terça-feira planos para liberar no mar mais de 1 milhão de toneladas de água contaminada da usina afetada pelo terremoto e tsunami de 2011, começando em cerca de dois anos após filtrá-la para remover isótopos nocivos.
A Coreia do Sul protestou fortemente contra a decisão, convocando Koichi Aiboshi, embaixador de Tóquio em Seul, e realizando uma reunião de emergência para elaborar sua resposta.
Moon, em uma reunião separada nesta quarta-feira, pediu às autoridades do país que procurassem maneiras de encaminhar a ação ao Tribunal Internacional para o Direito do Mar, disse seu porta-voz Kang Min-seok em uma coletiva de imprensa.
Moon também expressou preocupação sobre a decisão quando Aiboshi apresentou suas credenciais, tendo chegado à Coreia do Sul em fevereiro para o posto de embaixador.
“Não posso deixar de dizer que há muitas preocupações aqui sobre a decisão por ser um país que está geograficamente mais próximo e compartilha o mar com o Japão”, disse Moon, pedindo a Aiboshi para transmitir tais preocupações a Tóquio, de acordo com Kang.
Uma série de protestos de políticos, autoridades locais, pescadores e ativistas ambientais ocorreram na Coreia do Sul nesta quarta-feira, inclusive em frente à embaixada japonesa em Seul e aos consulados na cidade portuária de Busan e na ilha de Jeju.
Uma coalizão de 25 organizações de pesca promoveu uma manifestação e entregou um protesto por escrito à embaixada, pedindo a Tóquio que revogasse a decisão e Seul a proibir as importações da pesca japonesa.
O Partido da Justiça e cerca de 30 grupos ambientais e antinucleares chamaram a decisão do Japão de “terrorismo nuclear” e disseram que enviaram à embaixada japonesa um abaixo-assinado com mais de 64.000 pessoas contrárias à ação.
A Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da usina, planeja filtrar a água contaminada, deixando apenas o trítio, um isótopo radioativo do hidrogênio difícil de separar da água. A Tepco diluirá a água até que os níveis de trítio caiam abaixo dos limites regulamentares, antes de lançá-la no oceano.
O trítio é considerado relativamente inofensivo porque não emite energia suficiente para penetrar na pele humana.
Foto: Reuters
Presidente sul-coreano Moon Jae-in




