Tóquio – Algumas regiões do Japão registraram um aumento no número de mortes no trânsito em meio à pandemia, embora o volume do tráfego tenha diminuído e os acidentes de carro no país tenham caído cerca de 20%.
Os especialistas têm teorias sobre o motivo disso, mas os números são confusos quando analisados em conjunto.
Entre janeiro e setembro deste ano foram registrados 220.381 acidentes de trânsito, uma queda de 21,1 por cento ano a ano, de acordo com dados preliminares da Agência Nacional de Polícia.
Esse registro diminuiu em todas as 47 prefeituras.
Com as medidas restritivas e o receio do coronavírus, muitos evitaram sair de casa.
O resultado disso é que o volume de tráfego caiu de 10 a 30 por cento ano a ano nas principais vias expressas do país a cada semana em agosto, incluindo os feriados do festival Bon – um importante período de viagens.
Mas pelo menos um especialista disse que a redução no volume do tráfego pode ter desencadeado um aumento nas mortes veiculares.
As fatalidades aumentaram em Tóquio e em 12 outras províncias em relação ao ano passado, incluindo em algumas regiões rurais.
Em Tóquio aumentou 14%, enquanto em Aichi cresceu 7,5% e em Kanagawa foram 7,3%. Já em Ishikawa o aumento foi de 100% e de 30% na província de Nagasaki.
“O menor volume de tráfego pode ter levado os motoristas a correr mais”, disse Masahiro Ojimi, chefe do Centro de Pesquisa de Acidentes de Trânsito, com sede em Tóquio, que pesquisa acidentes de carro a pedido de seguradoras e outras partes.
Quanto mais rápido o veículo se desloca, maior é o impacto numa provável colisão, observou Ojimi.
A força do impacto em uma colisão seria cerca de sete vezes maior para um carro viajando a 80 km/h do que para um se movendo a 30 km/h.
De acordo com Ojimi, pedestres podem morrer se forem atropelados por um carro que está entre 30 e 40 km/h, embora os resultados dessa colisão possam variar dependendo da idade e do tamanho da vítima.
Colisões com paredes e postes podem resultar na morte de motoristas se eles estiverem acelerando a 60 km/h ou mais rápido.
Dados da Agência Nacional de Polícia mostram que motoristas que dirigem acima do limite de velocidade foram detectado em 107 ocorrências entre todos os acidentes que resultaram em morte entre janeiro e setembro – um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mas o aumento das fatalidades relacionadas ao trânsito não foi um fenômeno nacional, com as mortes diminuindo em até 10,4% durante o período de janeiro a setembro do ano passado, para 1.988 mortes.
As províncias de Hokkaido, Toyama, Ehime e Miyazaki, enquanto isso, permaneceram no mesmo nível do ano anterior.
Osaka viu um declínio de 18,5% nos acidentes ano após ano, embora as mortes tenham caído apenas 2,3%. A província de Hiroshima relatou uma redução de 25,4% nos acidentes, enquanto as mortes no trânsito caíram apenas 2%.
Não está claro por que a tendência foi tão dispersa, com outro especialista em trânsito sugerindo que a causa do aumento de mortes pode ter mais a ver com as condições em casa do que nas estradas.
Kazumi Renge, professor de psicologia do trânsito e presidente da Universidade Tezukayama em Nara, sugeriu que a ansiedade em relação ao trabalho e à vida causada pela pandemia são os prováveis culpados do aumento das mortes no trânsito.
“O estresse e as preocupações podem afetar o nível de concentração das pessoas”, disse Renge. “Se os motoristas pensarem em seus problemas enquanto dirigem, isso pode atrapalhar sua concentração ao redor.”
Renge disse que os motoristas devem ter cuidado extra com as estradas durante a pandemia.
“Deve-se pensar em tirar vantagem oferecidas pelo transporte público, se possível”, disse ele.
“Quando você precisa dirigir carros para trabalhar ou para outras atividade, você deve dirigir mais devagar e fazer pausas adequadas para garantir uma direção cuidadosa.”
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