Paris – O ex-advogado de Carlos Ghosn disse na última sexta-feira (10) ao governo do Japão que as autoridades não deram um julgamento justo para o ex-presidente da Nissan que respeitasse os direitos universais.
François Zimeray, ex-advogado francês de Ghosn, disse que os promotores japoneses deveriam provar a culpa de Ghosn antes de Ghosn provar sua inocência.
“Cabe à acusação provar a culpa e não ao acusado provar sua inocência”, disse Zimeray em comunicado.
A ministra da Justiça do Japão, Masako Mori, atacou Ghosn depois que ele criticou o sistema judicial do país por permitir “chance zero” de um julgamento justo, enquanto procurava justificar sua fuga para o Líbano.
Interpol
As autoridades japonesas pediram à Organização Internacional de Polícia Criminal (ICPO) um alerta de busca da Interpol para a esposa de Ghosn, informou a mídia local no sábado.
Se o alerta for emitido para a esposa de Ghosn, Carole, as chances de viagem do casal para fora do Líbano podem ficar restritas, disse o jornal Mainichi. A Interpol já emitiu um mandado de prisão para Ghosn.
O pedido do Japão foi feito na quinta-feira, de acordo com o Mainichi e outros veículos de mídia japoneses, citando fontes não identificadas.
Os promotores japoneses emitiram na terça-feira um mandado de prisão contra a mulher de Ghosn por suposto perjúrio, conforme as autoridades intensificam os esforços para levar o ex-executivo da indústria automobilística, que nasceu no Brasil, de volta a julgamento por acusações de má conduta financeira.
Ghosn fugiu do Japão para o Líbano, onde ele passou a infância, no mês passado, enquanto aguardava julgamento por acusações de ocultação de ganhos, quebra de confiança e apropriação indébita de recursos da empresa, o que ele nega.
Sua fuga dramática aumentou as tensões entre o Japão e o Líbano, onde Ghosn concedeu entrevista coletiva de duas horas na quarta-feira.
O Líbano, que não tem acordo de extradição com o Japão, pode suspender a proibição de viagens a Carlos Ghosn se os arquivos referentes ao seu caso não chegarem do Japão dentro de 40 dias, afirmou o ministro da Justiça, Albert Serhan, em comunicado na sexta-feira.
Foto: Reuters
Carlos Ghosn durante coletiva em Beirute




