Tóquio – As novas diretrizes para combater a pobreza infantil no Japão receberam a aprovação do Gabinete na semana passada, depois de serem revisadas pela primeira vez em cinco anos, informou o jornal Mainichi.
As diretrizes exigem “apoio contínuo desde a gravidez da mãe até a independência da criança na sociedade”, com uma abordagem detalhada para identificar problemas e melhorar o apoio.
Entrevistada pelo Mainichi, uma mulher de 49 anos, residente em Tóquio, disse que está criando dois filhos sozinha. Ela já trabalhou como professora, mas há um ano e meio ficou doente e deixou o emprego, e agora está recebendo uma pensão por invalidez.
A mulher está gastando suas economias e não sabe se seus filhos poderão continuar estudando no ensino médio.
“Pensei que deveria prepará-los mentalmente para isso e disse a eles: ‘Talvez você precise abandonar a escola’. Eu realmente não queria dizer isso a eles”, relatou.
A mulher se divorciou há cerca de 10 anos e fazia malabarismos para trabalhar e cuidar dos filhos. Quando as crianças eram pequenas, ela conseguiu apenas vagas em creches diferentes.
Uma criança é considerada pobre no Japão quando sua família recebe menos que a metade da renda média da população. A taxa de pobreza no país subiu para 16,3% em 2012. Em 2015, caiu ligeiramente para 13,9%, mas muitas crianças ainda enfrentam circunstâncias difíceis.
Um painel do governo responsável pelas diretrizes constatou que a taxa de pobreza é alta entre as famílias monoparentais e que existem brechas cada vez maiores no nível de apoio por área.
“Medidas para crianças de nacionalidade estrangeira e pessoas com deficiência também precisam de atenção urgente”, disse Aya Abe, professora da Universidade Metropolitana de Tóquio que faz pesquisas sobre diferenças sociais.
“Considerando o estado atual em que a pobreza está sendo passada dos pais para os filhos e até para os netos, o governo deveria ter incorporado novas contramedidas sem simplesmente seguir o precedente”, criticou.
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