Tóquio/Seul – Na cerimônia de 74 anos desde que o Japão anunciou a rendição na Segunda Guerra Mundial, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, moderou o tom e disse que o país está disposto a dialogar e cooperar, desde que o Japão escolha o mesmo caminho, informou a agência de notícias Reuters.
Apesar da inclinação ao diálogo, o presidente sul-coreano também foi duro, ao relembrar o passado de guerras. “O Japão deve facilitar a paz e a prosperidade na Ásia através de uma postura de liderança. Sem esquecer o passado, que levou desgraças aos países vizinhos”, declarou.
Na Coreia do Sul, a cerimônia é conhecida como “Dia da Libertação Nacional” e entra em uma série de eventos públicos que relembram o fim dos 35 anos de ocupação japonesa no território coreano. O feriado é o único em comum com a vizinha Coreia do Norte e motiva uma série de protestos populares contra o Japão.
A crise entre os dois países está relacionada a triste história que carregam juntos e se intensificou no ano passado.
No fim de 2018, a Suprema Corte da Coreia do Sul condenou as empresas japonesas Mitsubishi e Nippon Steel & Sumitomo Metal a pagar indenizações por escravizar trabalhadores na península coreana, durante o período de ocupação (1910 – 1945).
O Japão reagiu negativamente a determinação judicial e alegou que um tratado assinado entre os dois países em 1965 já havia resolvido esta questão.
A escalada de tensões se intensificou ainda mais este mês, quando o Japão retirou da Coreia do Sul um status especial de parceiro comercial com privilégios.
Seul tratou o caso como uma retaliação por causa da sentença judicial, mas o Japão alega que a decisão foi tomada por causa de questões de exportações, principalmente ligadas a indústria tecnológica.
Os problemas, no entanto, afetaram milhares de viajantes japoneses. O governo japonês chegou a alertar seus cidadãos para tomar cuidado durante viagens ao país vizinho, por causa da onda de protestos contra o Japão, que ocorrem durante as celebrações de libertação nacional.
No Japão, a celebração de rendição na Segunda Guerra Mundial não deu ênfase para a crise com o país vizinho.
O primeiro-ministro Shinzo Abe reiterou o “profundo arrependimento” e as “lições aprendidas” com o episódio histórico e prometeu que não permitirá jamais que algo semelhante se repita novamente.
“Queremos trabalhar com a comunidade internacional e vamos nos esforçar ao máximo para construir uma nova era de esperança na Ásia”, disse o premier.
Foto: Reuters
Presidente sul-coreano Moon Jae-in




